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Level-5 pede aos fãs que não pirateiem os seus jogos e a internet reage

A Level-5, estúdio japonês responsável por franquias como Yo-kai Watch, Professor Layton e Inazuma Eleven, publicou a 13 de maio um comunicado oficial a alertar para a pirataria dos seus jogos e a ameaçar ação legal contra quem reproduzir ou distribuir os seus títulos sem autorização. O texto, partilhado nas redes sociais em inglês e japonês, não demorou a gerar uma reação intensa, mas não exatamente do tipo que a empresa esperaria.

O comunicado dizia o seguinte: “Queremos abordar um problema grave que observámos recentemente: a reprodução e distribuição não autorizadas do nosso software de jogo em certas comunidades online. Exceto onde especificamente permitido pela lei de direitos de autor ou outros regulamentos aplicáveis, reproduzir, modificar ou editar o nosso software de jogo sem a nossa autorização, bem como distribuir ou vender esses materiais a terceiros, constitui violação de direitos de autor independentemente do propósito ou uso pretendido. Queremos deixar claro que continuaremos a prestar muita atenção a estas atividades”.

A empresa não especificou quais os títulos em causa, mas muitos suspeitam que o aviso possa estar relacionado com um projeto de fã que circulou recentemente no X (antigo Twitter) e captou a atenção tanto de fãs internacionais como japoneses.

O problema: os jogos simplesmente não estão à venda

A crítica mais imediata foi também a mais óbvia. Vários títulos da Level-5, em particular os da série Yo-kai Watch para a Nintendo 3DS, tornaram-se praticamente impossíveis de adquirir legalmente fora do Japão. O fecho da Nintendo eShop em 2023 eliminou o único canal digital disponível, e as cópias físicas em segunda mão atingiram preços que dificilmente podem ser classificados como acessíveis.

Na altura da publicação deste artigo, cópias do Yo-kai Watch original para Nintendo 3DS surgem listadas no eBay por até 1.823 dólares, enquanto o Yo-kai Watch 3 ronda os 800 a 900 dólares. Yo-kai Watch 3 chega a surgir na Amazon por quase 900 dólares. O quarto jogo da série nunca chegou a sair do Japão, apesar de ter sido lançado na Switch e na PS4 nesse país.

A reação nas redes sociais foi rápida e abrangente. Dois comentários de utilizadores tornaram-se representativos do sentimento geral.

Um utilizador escreveu: “Não sei o que é que a Level-5 estava à espera. Abandonaram o mercado internacional há anos, lançaram releases internacionais marginais, e depois ficam surpreendidos que as pessoas pirateiem os seus jogos antigos? Lol. A maioria dos Yo-kai Watch mais recentes nem sequer está disponível fora do Japão”.

Outro comentou: “Percebo enquanto empresa, mas o que é que nós, fãs, devemos fazer quando a distribuição de Yo-kai Watch em muitos lugares, como o Ocidente, foi interrompida, e é fisicamente irrealista apoiarmos a empresa porque não nos distribuem para a nossa língua?”.

Os lançamentos mais recentes da Level-5, Fantasy Life i: The Girl Who Steals Time e Inazuma Eleven: Victory Road, chegaram em 2026 a múltiplas plataformas a nível mundial, incluindo Switch, Switch 2, PS4, PS5, Xbox Series X e PC. O Professor Layton and the New World of Steam está também previsto para 2026 nas mesmas plataformas, com lançamento global.

Ou seja, a empresa não abandonou totalmente o mercado internacional, simplesmente nunca localizou grande parte do catálogo da era 3DS, e esse arquivo permanece inacessível para quem vive fora do Japão sem recorrer ao mercado secundário a preços proibitivos.

A polémica toca num problema mais vasto da indústria, a preservação de videojogos. À medida que as lojas digitais vão encerrando, a eShop da 3DS foi apenas um exemplo numa tendência que continua, títulos inteiros tornam-se inacessíveis por vias legais para quem não chegou a comprá-los na altura. Editoras japonesas, como a Capcom e a Square Enix, têm feito lançamentos globais consistentes e disponibilizado os seus catálogos em formatos modernos, o que torna a posição da Level-5 comparativamente mais difícil de defender perante a comunidade internacional.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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