
Enquanto boa parte da indústria de videojogos atravessa uma vaga de despedimentos e reestruturações, a Capcom segue em sentido contrário. De acordo com a apresentação de resultados financeiros do ano fiscal encerrado em março de 2026, a empresa japonesa contratou mais 210 trabalhadores a tempo inteiro durante o último ano, atingindo um total de 3.976 colaboradores.
O crescimento não é uniforme, está claramente concentrado nas equipas de desenvolvimento. O número de funcionários dedicados à criação de jogos passou de 2.846 para 3.011 durante o mesmo período. E a tendência não dá sinais de abrandar, nos próximos doze meses, a Capcom pretende recrutar mais 170 profissionais de desenvolvimento, elevando essa área para 3.180 pessoas.
A estratégia não é nova. A empresa já vinha a anunciar publicamente o objetivo de contratar mais de 100 trabalhadores a tempo inteiro por ano, mas o ritmo acelerou. Na apresentação mais recente, a Capcom reafirma essa ambição e justifica-a com a necessidade de manter uma diversidade geracional dentro das equipas, incluindo mecanismos de transmissão de conhecimento entre gerações de trabalhadores.
O investimento em pessoas vai além dos números de contratação. Os salários também continuam a subir, no último ano fiscal, o rendimento anual médio por trabalhador, incluindo bónus, cresceu 7%, chegando aos 10,13 milhões de ienes, o equivalente a cerca de 64 mil dólares. A subida salarial é contínua desde 2023, segundo os mesmos dados, e insere-se numa série de aumentos que a Capcom tem vindo a implementar desde 2022, quando anunciou uma revisão da sua política de compensações.
A expansão tem também uma dimensão física. A Capcom está a concluir a construção de um novo edifício junto à sua sede em Osaka, previsto para 2027, que vai albergar um centro de investigação e desenvolvimento. A empresa adquiriu ainda um terreno próximo para uma futura instalação adicional. O crescimento do espaço físico acompanha, assim, o crescimento das equipas.
O contexto em que tudo isto acontece torna os números ainda mais significativos. Nos últimos dois anos, empresas como a Microsoft, a EA, a Sony e várias outras dispensaram milhares de trabalhadores na indústria. A Capcom, pelo contrário, encerrou este período com o catálogo de lançamentos mais sólido da sua história recente, Monster Hunter Wilds, Resident Evil e outros títulos contribuíram para resultados financeiros consecutivamente recordes, e parece apostada em transformar esse sucesso em capacidade de produção futura.









