InícioJogosEmbracer divide-se em duas empresas e perde Tomb Raider, O Senhor dos...

Embracer divide-se em duas empresas e perde Tomb Raider, O Senhor dos Anéis e Metro

Embracer Group divide-se em 2026: Fellowship Entertainment leva Tomb Raider, O Senhor dos Anéis, Metro e mais

Embracer Group Logo HD

A Embracer Group anunciou esta manhã a intenção de se separar em duas empresas cotadas em bolsa, num movimento que vai redistribuir alguns dos nomes mais icónicos dos videojogos por uma nova entidade independente chamada Fellowship Entertainment. A cotação na Nasdaq Estocolmo está prevista para 2027, e a notícia chega no mesmo dia em que a empresa divulgou os resultados do quarto trimestre.

A Fellowship Entertainment reunirá as propriedades intelectuais mais reconhecidas do grupo: Tomb Raider, a franquia O Senhor dos Anéis e O Hobbit, Kingdom Come: Deliverance, Metro, Dead Island, Darksiders, Remnant, entre outras. Para gerir esse portefólio, vários estúdios mudam de casa, incluindo a Crystal Dynamics, a Eidos-Montréal, a Warhorse Studios, a 4A Games, a Dambuster Studios, a Gunfire Games e a Dark Horse Media, entre outros. A nova empresa terá uma abordagem centrada no desenvolvimento, na publicação e no licenciamento de IP, com o objetivo declarado de lançar pelo menos dois títulos AAA por ano a partir do ano fiscal 2027/28.

O que fica na Embracer

A Embracer mantém um perfil diferente, será, nas palavras da própria empresa, “um lar natural para empreendedores comprovados”, focada em nichos como jogos para dispositivos móveis, jogos retro e colecionáveis, distribuição física e cinema (através da Plaion Pictures). Ficam com a Embracer estúdios como a THQ Nordic e as suas 35 subsidiárias, a Aspyr, a Milestone, a Limited Run Games, a Tripwire e a CrazyLabs. Em termos de IP, o grupo mantém títulos como Destroy All Humans!, Gothic, Killing Floor, Titan Quest e Wreckfest, além de licenças como Hot Wheels Unleashed e SpongeBob SquarePants.

Em termos de escala, as duas empresas ficam assim divididas, a Fellowship Entertainment registou vendas de 4,393 mil milhões de coroas suecas no ano fiscal 2025/26 e conta com 2169 colaboradores; a Embracer, por seu lado, reporta 11,544 mil milhões de coroas e 3518 pessoas.

Quem lidera cada empresa

Phil Rogers, até agora CEO da Embracer, e Lee Guinchard, COO, transitam ambos para os mesmos cargos na Fellowship Entertainment, acompanhados pela CFO Müge Bouillon. Para a Embracer está em curso um processo de recrutamento de um novo CEO e CFO. Rogers disse em comunicado: “A nossa direção é clara: construir um grupo mais disciplinado com dois negócios distintos, cada um com um mandato e uma estrutura que apoie a transparência e a execução”.

Lars Wingefors, fundador e presidente do conselho de administração da Embracer Group, explicou a lógica da separação numa carta aos acionistas: “Tal como a Asmodee e a Coffee Stain, acreditamos que a Fellowship Entertainment prosperará mais ao tornar-se um negócio autónomo. Penso que os ativos detidos pela Fellowship Entertainment estão entre os mais subvalorizados da indústria e sinto que é meu dever, enquanto maior acionista, mudar isso e criar uma estrutura para realizar o seu pleno potencial”.

A Embracer foi, entre 2020 e 2022, uma das empresas mais agressivas na compra de estúdios de videojogos, chegou a ter mais de 200 projetos em desenvolvimento simultâneo e um quadro de quase 16.000 colaboradores. Depois, um acordo de 2 mil milhões de dólares com o fundo saudita Savvy Games caiu por terra em 2023, deixando a empresa exposta a uma dívida que não conseguia sustentar. O que se seguiu foi um dos processos de reestruturação mais devastadores da história recente da indústria, mais de 4500 despedimentos, 44 estúdios encerrados ou desinvestidos, e 80 projetos cancelados, incluindo o tão aguardado regresso de Deus Ex na Eidos-Montréal e o novo TimeSplitters na Free Radical Design.

Wingefors reconheceu diretamente esse historial na carta aos acionistas: “Mesmo que, para alguns, nos tenhamos tornado estreitamente associados a despedimentos na indústria, a realidade é que trabalhámos arduamente para reter o maior número possível de pessoas durante um período muito difícil, equilibrando ao mesmo tempo as necessidades de conduzir uma operação empresarial rentável”.

Acrescentou ainda: “Olhando para o grande ajustamento que fizemos em 2023, decidimos não fazer uma redução de efetivos ‘ao estilo corporativo americano’, mas dar a um conjunto de estúdios e IPs a oportunidade de se provarem”.

A Fellowship Entertainment está a ser criada num momento estrategicamente calculado, o ano de 2027 coincide com uma pipeline de produtos “significativamente mais forte”, que inclui a adaptação de Tomb Raider para a Prime Video com Sophie Turner e o novo filme de O Senhor dos Anéis produzido pela Warner Bros. e realizado por Andy Serkis.

A Fellowship Entertainment vai também explorar parcerias externas para IPs adormecidas que ficaram em segundo plano durante os anos de crise, incluindo Saints Row, Legacy of Kain, Deus Ex, Red Faction, Thief e TimeSplitters.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

Artigos Relacionados

Subscreve
Notify of
guest

0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente
Inline Feedbacks
View all comments
- Publicidade -

Notícias

Populares