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Protesto contra o fim dos discos na PS5 esbarra numa realidade incómoda: os jogadores continuam a comprar tudo em digital

Passaram-se poucas semanas desde que a Sony anunciou o fim da produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de 2028, uma decisão que gerou uma onda de indignação entre jogadores e levou muitos a jurar boicote à loja digital da marca. Só que a realidade dos números conta uma história bem diferente daquela que os protestos sugeriam.

A 9 de julho, a Activision lançou, com o apoio do estúdio Iron Galaxy, versões para PS4 e PS5 de dois clássicos da série Call of Duty: Black Ops e Black Ops 2. Os lançamentos foram exclusivos para consolas da Sony, já que ambos os jogos continuavam disponíveis via retrocompatibilidade em consolas Xbox. Na prática, tratou-se de um lançamento exclusivo de PlayStation vindo de uma editora que hoje pertence à Microsoft, e os jogadores da Sony não hesitaram em correr para a loja digital.

Milhões de jogadores voltaram a Black Ops em poucos dias

Segundo os dados recolhidos Call of Duty: Black Ops 2 chegou aos 5,25 milhões de jogadores semanais apenas nos Estados Unidos, enquanto o Black Ops original somou cerca de 1,96 milhões no mesmo mercado. Estes valores dizem respeito apenas ao território norte-americano, pelo que o número total de jogadores, contando com a Europa e restantes mercados, será necessariamente mais elevado.

Estes números terão colocado Black Ops 2 à frente da soma de jogadores de Black Ops 7 e Warzone juntos, o que dá uma ideia da escala do fenómeno.

Estes números representem entre 15% a 20% dos utilizadores de PS5 nos Estados Unidos a comprarem um simples port de um jogo com 14 anos, precisamente na sequência daquela que é descrita como a maior polémica da PlayStation desde a falha da PSN em 2011.

O protesto que não travou ninguém

A decisão da Sony de acabar com a produção de discos físicos para novos jogos a partir de janeiro de 2028 tinha sido justificada, segundo o PlayStation Blog, como uma resposta às “tendências de preferência dos consumidores”, que continuam a afastar-se dos discos físicos em direção ao digital. O anúncio, contudo, gerou uma reação maioritariamente negativa por parte da comunidade, com muitos jogadores a manifestarem receio quanto ao futuro da posse de jogos e à possibilidade de revenda de títulos usados.

Foi precisamente nesse clima de contestação que surgiu um movimento informal de protesto entre fãs da marca, com o objetivo de pressionar a Sony através da redução das compras digitais. Só que o lançamento de Black Ops e Black Ops 2 parece ter servido de primeiro teste de fogo a essa iniciativa, e os resultados não foram famosos, dois jogos com mais de uma década, sem qualquer tipo de remasterização gráfica, conseguiram gerar um volume de acessos suficiente para conseguirem mandar a baixo a loja da PlayStation na altura do lançamento.

O cenário levanta uma questão incómoda para quem espera usar o poder de compra como forma de pressão, se dois ports simples de jogos de 2010 e 2012 já geraram este nível de procura digital, o que acontecerá em novembro, quando Grand Theft Auto VI chegar à PS5?

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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