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10 animes perfeitos dos últimos 25 anos

Quase todos os fãs de anime conseguem apontar aquela série que adoram, mas que tem um ou outro episódio fraco ou um final que fica aquém do resto. E depois há um punhado de produções que parecem escapar a essa regra, séries em que cada decisão de história, cada escolha e cada detalhe visual parece ter sido pensado ao pormenor, sem desperdício.

10
Odd Taxi

Odd Taxi anime visual (1)

À primeira vista, Odd Taxi não tem nada de especialmente chamativo, é uma série anime sobre um taxista antropomórfico e as conversas que vai tendo com os seus clientes ao longo de 13 episódios. É precisamente aí que está o truque. A OLM constrói, a partir dessas conversas aparentemente banais, um mistério cada vez mais complexo, em que pequenos detalhes plantados desde cedo acabam por se revelar essenciais muito mais tarde.

O facto de as personagens serem animais faz mais do que dar um toque visual distinto à série, cria uma distância que permite abordar temas sociais bastante pesados sem que a história se torne difícil de digerir. Essa distância nunca compromete a força emocional da história, e é isso que dá ao mistério o seu verdadeiro peso.

Não é por acaso que a série reúne direção, design de personagens, música e interpretações vocais com um nível de consistência raro. Esse trabalho valeu a Odd Taxi os prémios de Melhor Realização e Melhor Protagonista nos Crunchyroll Anime Awards de 2022, além do prémio de Nova Revelação atribuído pelo Japan Media Arts Festival, que destacou em particular a forma como as várias linhas narrativas da série acabam por convergir para um único acontecimento central.

9
Samurai Champloo

Samurai Champloo visual

Juntar batidas de hip-hop a combates de samurais do período Edo é o tipo de ideia que, mal executada, resulta facilmente num exagero descartável. Nas mãos de Shinichiro Watanabe, essa combinação improvável transformou-se numa das obras mais celebradas da sua carreira. A animação do estúdio Manglobe abraça o anacronismo sem hesitações, deixando conviver naturalmente coreografias de espada inspiradas em breakdance com um retrato de época bastante cuidado.

A viagem de Mugen, Jin e Fuu segue uma estrutura solta, quase episódica, que dá espaço à série para alternar entre comédia, tragédia e momentos mais introspetivos sem forçar transições bruscas. Samurai Champloo raramente perde esse equilíbrio de tom, mesmo quando muda radicalmente de registo de um episódio para o outro.

A banda sonora de Nujabes e Fat Jon acaba por ser o elemento que costura toda esta experiência. Mesmo nos episódios mais desligados da trama principal, a música garante uma linha emocional que se mantém coerente do início ao fim, dando à série uma identidade sonora tão marcante quanto o seu visual.

8
Death Note

Death Note visual anime

A premissa é simples, um caderno sobrenatural mata qualquer pessoa cujo nome seja nele escrito. A forma como Death Note desenvolve essa ideia é o que o transforma num dos thrillers psicológicos mais bem construídos do meio. Sob a direção de Tetsuro Araki, cada conversa entre Light Yagami e o detetive L funciona quase como uma partida de xadrez, cheia de segundas intenções.

O estúdio Madhouse enquadra esses confrontos com uma intensidade quase teatral, recorrendo a escolhas de iluminação e enquadramento que transformam simples cenas de diálogo em verdadeiros momentos de tensão visual. A manipulação fria de Light escala de forma natural contra a capacidade dedutiva de L, sem que nenhuma das duas personagens alguma vez pareça inferior à outra.

A banda sonora de Yoshihisa Hirano reforça essa tensão sem nunca se sobrepor ao ritmo da narrativa, que se sustenta quase inteiramente em diálogos e olhares. É essa aposta no confronto intelectual, em vez da ação física, que continua a garantir a Death Note um lugar entre os grandes clássicos do género.

7
Attack on Titan

Attack on Titan

Attack on Titan começa como uma premissa de terror e aventura bastante direta, titãs gigantescos invadem a Muralha Maria e ameaçam a sobrevivência da humanidade. Ao longo das temporadas seguintes, porém, essa história transforma-se numa verdadeira epopeia geopolítica, uma evolução que poucas séries de longa duração conseguem gerir sem perder coerência pelo caminho.

As primeiras temporadas, produzidas pelo Wit Studio, estabelecem desde cedo uma linguagem visual muito própria, centrada no equipamento de manobra tridimensional que dá aos combates aéreos uma identidade única dentro do género de ação. É um dos elementos que ajuda a distinguir a série visualmente de tudo o resto no mesmo espaço.

O verdadeiro trunfo da obra, no entanto, está na forma como o percurso de Eren Yeager vai reformulando aos poucos as bases morais de toda a premissa, em vez de o fazer de uma só vez. Isso permite que revelações posteriores recontextualizem temporadas inteiras sem nunca as contradizerem, e que a escala cada vez maior da história se mantenha sempre ligada a consequências genuínas para as personagens envolvidas.

6
Code Geass

Code Geass anime visual

O poder central de Code Geass é simples de explicar, mas difícil de esgotar, Lelouch vi Britannia consegue comandar obediência absoluta com uma única ordem. Esse conceito dá à série de Goro Taniguchi um motor estratégico bastante diferente do habitual dentro do género mecha shonen, e a Sunrise sabe tirar partido disso.

Em vez de tratar os combates dos Knightmare Frames como simples espetáculo, a produção transforma-os em verdadeiras demonstrações da estratégia política mais ampla de Lelouch. A escrita de Ichiro Okouchi mantém a rebelião do protagonista moralmente complicada do princípio ao fim, recusando-se a oferecer ao público uma visão confortável de herói, mesmo quando a sua causa se torna cada vez mais compreensível.

É essa recusa em simplificar que faz cada reviravolta parecer consequência natural das escolhas de Lelouch, e não um simples golpe de argumento. O reconhecimento não tardou, a série venceu o prémio de Melhor Anime nos Tokyo Anime Awards de 2007, e a sua segunda temporada recebeu ainda o prémio de Melhor Argumento em 2009.

5
Mob Psycho 100

Mob Psycho 100 celebra 10 anos visual

Shigeo Kageyama tem poderes psíquicos capazes de arrasar quarteirões inteiros, mas a criação de ONE prefere passar a maior parte do tempo a explorar a relação desajeitada entre o protagonista e o seu mentor fraudulento, Reigen Arataka. Essa escolha, aparentemente contida, é o que torna a série tão especial.

O estúdio Bones transforma essa contenção em animação genuinamente criativa, guardando o verdadeiro caos visual apenas para os momentos que realmente merecem esse impacto emocional. O resultado é uma série em que os grandes momentos de ação têm um peso real, precisamente porque não são desperdiçados em cada episódio.

Ao longo das três temporadas, o verdadeiro fio condutor da história acaba por ser a aceitação pessoal crescente de Mob, construída através da mentoria imperfeita de Reigen. O diretor Yuzuru Tachikawa consegue manter essa coerência emocional mesmo quando o estilo visual se torna cada vez mais experimental de temporada para temporada, o que raramente acontece sem custos noutras produções.

4
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Poucas séries conseguem equilibrar ação, escrita de personagens, construção de mundo, humor e profundidade temática ao mesmo tempo, e é exatamente aí que Fullmetal Alchemist: Brotherhood se destaca. Esta adaptação de 64 episódios segue de perto o mangá de Hiromu Arakawa, deixando que os detalhes plantados desde o início, as relações entre personagens e os conflitos políticos se desenvolvam até reviravoltas cuidadosamente preparadas.

Não há desvios desnecessários à espreita, tudo o que acontece na reta final da série tem origem em algo estabelecido bem antes. Uma direção sólida e a banda sonora memorável de Akira Senju complementam a animação sempre detalhada do estúdio Bones, dando à obra um acabamento raramente visto noutras produções da mesma escala.

A série aborda temas como militarismo, sacrifício, preconceito, responsabilidade e as consequências da ambição científica sem nunca perder a sua energia de aventura, algo que nem sempre é fácil de conciliar. É essa fidelidade ao material original, aliada à qualidade da caracterização e da ação nos momentos-chave, que continua a garantir a Brotherhood um lugar entre os anime mais aclamados da sua geração.

3
Pluto

PLUTO

Pluto parte de um desafio complicado, reinterpretar um clássico sem trair o espírito daquilo que o tornou especial. O mangá de Naoki Urasawa e Takashi Nagasaki pega no mangá de Osamu Tezuka, e transforma-o num mistério de assassinato com tons de noir. O diretor Toshio Kawaguchi, à frente do Studio M2, transporta essa reinvenção para o ecrã com uma fidelidade impressionante.

A investigação do detetive Gesicht sobre uma série de mortes envolvendo robôs e humanos desenrola-se ao longo de apenas oito episódios, praticamente sem uma única cena desperdiçada. O designer de personagens Shigeru Fujita, já conhecido pelo trabalho em Monster, também de Urasawa, dá aos robôs uma expressividade inquietante e deliberadamente próxima da humana, o que reforça o desconforto moral no centro da história.

Em vez de tratar os robôs como simples máquinas, a série atribui às suas emoções e relações um peso genuíno, fazendo com que as ideias políticas e o drama humano reforcem o mistério central em vez de o sobrecarregarem. A banda sonora de Yugo Kanno atravessa até os confrontos mais violentos com uma melancolia constante, e é essa seriedade em relação ao luto e à memória que justifica as comparações entre Pluto e a obra que lhe deu origem.

2
Monster

Monster aposta tudo na tensão psicológica, em vez de recorrer ao espetáculo fácil, o que lhe dá uma distinção rara dentro do meio, uma duração equivalente a vários filmes juntos, distribuída por 74 episódios que nunca chegam a parecer demasiados. O estúdio Madhouse mantém-se extremamente fiel ao mangá original de Naoki Urasawa, preservando a sua estrutura quase romanesca e o desenvolvimento cuidado das personagens.

Cada nova cidade e cada nova personagem secundária encaixam diretamente na rede cada vez maior de influência de Johan, mantendo a sensação de perigo sempre a crescer, em vez de recomeçar do zero a cada novo arco da história. Os designs realistas e uma direção contida reforçam o ambiente europeu em que a história se desenrola, enquanto a banda sonora de Kuniaki Haishima acrescenta uma atmosfera inquietante sem nunca se sobrepor ao drama.

Urasawa guarda as verdadeiras motivações de Johan até bem perto do desfecho, deixando que cada revelação recontextualize os capítulos anteriores, quase ao mesmo ritmo a que a própria compreensão de Tenma sobre o vilão vai mudando ao longo da história. É esse controlo narrativo, mantido ao longo de dezenas de episódios, que explica por que Monster continua a ser citado como um dos melhores exemplos de suspense psicológico do meio.

1
Steins;Gate

Steins;Gate ReBoot 1st teaser

Tudo começa como uma comédia despretensiosa, Rintaro Okabe inventa, por acidente, uma máquina do tempo feita a partir de um micro-ondas modificado. É a partir desse ponto de partida quase ridículo que o estúdio White Fox, sob a direção de Hiroshi Hamasaki e Takuya Sato, vai deslocando o tom da série aos poucos, sem grandes avisos, em direção à tragédia.

O argumento de Jukki Hanada planta dezenas de pequenos detalhes logo nos primeiros episódios, pormenores que as alterações de linha temporal mais tarde recontextualizam por completo. É esse nível de construção, raro mesmo dentro da própria ficção científica sobre viagens no tempo, que recompensa quem decide rever a série depois de já conhecer o final.

A relação entre Kurisu Makise e Okabe aprofunda-se precisamente porque cada momento emocional é conquistado através de uma preparação cuidadosa, nunca através de atalhos narrativos. É por isso que a segunda metade de Steins;Gate, marcada por perdas irreversíveis e escolhas impossíveis, tem tanto impacto, porque o tom mais leve e cómico da primeira parte nunca chega a parecer tempo desperdiçado, mesmo em retrospetiva.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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