
George Wada, presidente do Wit Studio, o estúdio por detrás de Spy x Family e das primeiras temporadas de Attack on Titan, defende que o Japão precisa de uma cerimónia de prémios própria dedicada ao anime, organizada e avaliada pela própria indústria. A ideia foi partilhada numa entrevista à io9, onde Wada também falou sobre inteligência artificial, condições de trabalho nos estúdios e os planos do Wit Studio para os próximos anos.
Questionado sobre o que o levou a defender publicamente esta ideia, Wada foi direto, quer um espaço que reconheça o trabalho de quem está por detrás da animação, à semelhança do que os Óscares representam para o cinema. Nas suas próprias palavras:
“Porque comecei a sentir fortemente que o Japão precisa de um espaço que avalie devidamente os criadores no terreno e o trabalho de produção a partir de uma perspetiva interna à indústria — um espaço que, tal como os Óscares fazem no cinema, eleve o orgulho e o estatuto das pessoas que fazem o trabalho, e que esteja ligado ao desenvolvimento da próxima geração de talento e ao crescimento sustentável da indústria“.
Segundo Wada, este objetivo já tem um primeiro passo prático, a Tokyo Anime Next, evento organizado pela Association of Japanese Animations e agendado para 30 de outubro a 2 de novembro de 2026, está a ser posicionada como o projeto de lançamento para um evento internacional de anime de maior escala, previsto para 2027.
Vale notar que esta proposta surge num momento em que os Crunchyroll Anime Awards, atualmente a cerimónia de prémios de anime mais conhecida a nível internacional, voltam a ser alvo de críticas por parte de fãs e da imprensa especializada, algo que reforça o argumento de Wada de que faz sentido existir uma alternativa organizada a partir de dentro da própria indústria japonesa.
Na mesma conversa, Wada comentou a direção que o anime tem vindo a tomar à medida que se aproxima cada vez mais de audiências internacionais. Segundo o presidente do Wit Studio, tem-se notado uma tendência para um conteúdo “mais intenso, mais estimulante, expresso em metragens mais curtas”. Apesar disso, garantiu que o estúdio pretende manter o foco em valores universais e em dramas fortes, mesmo que isso signifique nadar contra a corrente do mercado.
É essa filosofia que está também na base de Lona, o novo projeto original do Wit Studio, conduzido por membros mais jovens da equipa, incluindo o diretor Takashi Katagiri e o produtor Kazuki Yamanaka, ambos formados dentro do próprio estúdio.

Inteligência artificial e o desafio de recriar One Piece
Sobre o uso de inteligência artificial na produção de anime, Wada foi claro quanto à postura atual do Wit Studio, afirmando:
“Colocamos em primeiro lugar a proteção dos direitos de autor e a originalidade do trabalho artístico, e, para já, a nossa postura é cautelosa. Acreditamos que a sensibilidade humana e a expressão feita à mão são o cerne de cada obra“.
A entrevista serviu ainda para Wada falar sobre The One Piece, o remake da longa série anime de Eiichiro Oda que o Wit Studio está atualmente a desenvolver. Segundo o presidente do estúdio, revisitar o material original com o distanciamento que a serialização atual permite revelou a quantidade de pistas e histórias de personagens que já estavam presentes desde o primeiro capítulo da obra, o que torna o projeto um dos maiores desafios do estúdio:
“Ao revisitarmos a obra original a partir do ponto de vista atual, com a serialização já muito avançada, ficámos surpreendidos com a quantidade de pistas subtis e de história das personagens que já estavam embutidas no primeiro capítulo. A questão de como reconstruir o mundo rico que o sensei Oda desenha através da animação contemporânea é a maior barreira, e, ao mesmo tempo, desperta o nosso apetite por um grande desafio“.









