
Não houve reunião em Tóquio, nem aviso prévio, nem sequer uma explicação. A decisão da PlayStation de deixar cair Physint, o regresso de Hideo Kojima ao género que ajudou a popularizar, foi comunicada numa videochamada de meia dúzia de minutos em meados de junho. O criador de Metal Gear Solid contou agora como tudo aconteceu, numa entrevista ao Washington Post publicada este domingo.
Do lado da Kojima Productions estavam três pessoas, o próprio Kojima, o presidente do estúdio, Shinji Hirano, e o responsável pelo desenvolvimento de talento, Aki Saito. Do outro lado, a Sony limitou-se a dizer que deixava de financiar o projeto. Kojima recusou identificar quem deu a notícia.
“Fiquei simplesmente chocado e surpreendido“, contou ao jornal norte-americano. “Não senti qualquer raiva nem tristeza. Estava apenas a pensar: ‘O que é que eu faço agora?’ É um grande problema para nós, e na altura não podia dizer nada à equipa“.
A frase que melhor explica o silêncio dos meses seguintes é outra. A Kojima Productions não pertence a ninguém, vive de contrato em contrato, projeto a projeto, e precisa de garantir o seguinte antes de o anterior terminar.
“Somos um estúdio independente. Isso significa que, se eles não nos puderem financiar, o nosso estúdio pode entrar em colapso“, disse Kojima.
Parte do choque veio também da natureza do jogo. PHYSINT nunca foi um projeto de nicho, é, em tudo menos no nome, o sucessor espiritual de Metal Gear Solid, anunciado em janeiro de 2024 num State of Play com Hermen Hulst ao lado de Kojima e filmado nas instalações da Columbia Pictures, para sublinhar o envolvimento das divisões de cinema e música da Sony.
“Este é o jogo mais vendável que eu poderia criar. Não achei que PHYSINT estivesse na lista dos que podiam ser cancelados“, comentou kojima.
Três meses de negociações e um telefonema que nunca chegou
Seguiram-se três meses a bater a várias portas. A Microsoft acabou por ser o caminho mais curto, porque a relação já existia através de OD, o projeto de terror que a Kojima Productions desenvolve com a Xbox.
O desfecho tornou-se público a 9 de setembro, numa sequência de anúncios com poucos minutos de intervalo. Primeiro a Sony, a confirmar que se afastava do projeto. Depois a Xbox, a assumir a publicação de PHYSINT, e, com isso, os dois próximos jogos de Kojima. O comunicado da PlayStation não avançou qualquer razão para a saída.
A Bloomberg avançou, citando pessoas familiarizadas com o projeto, que a Sony saiu por causa do orçamento, da rentabilidade prevista e da questão da exclusividade, e que o desempenho comercial de Death Stranding e da sua sequela ficou abaixo das expectativas da editora.
A Kojima Productions veio desmentir o tom desse retrato. Em comunicado, o estúdio garantiu que nenhuma das alegações “veio de qualquer fonte oficial” e pediu que fossem lidas “com uma dose de ceticismo“.









