
A decisão da EA de fechar a BioWare e cancelar o novo Mass Effect terá sido, em grande parte, uma escolha entre dois projetos demasiado caros para existirem em simultâneo. A conclusão é de uma reportagem da Bloomberg que cita fontes anónimas familiarizadas com o processo. Do outro lado da balança estaria Star Wars Battlefront 3, um jogo que a editora ainda não anunciou oficialmente.
O encerramento do estúdio tinha sido confirmado a 21 de outubro, numa publicação da própria BioWare, que fechou portas ao fim de 30 anos. Na altura, a Bloomberg noticiou também que a EA ia despedir 400 pessoas, cerca de 50 das quais trabalhavam no estúdio no novo Mass Effect. Ficou por explicar o motivo, e é isso que esta nova reportagem tenta esclarecer.
O contexto financeiro pesa muito na história. A compra da EA por um grupo de investidores que inclui o fundo soberano saudita PIF, a Silver Lake e a Affinity Partners, num negócio de 55 mil milhões de dólares, deixou a empresa com uma dívida de 18 mil milhões de dólares que se espera pagar com os lucros operacionais. Foi com esse peso em mente que os executivos analisaram o portefólio dos anos seguintes.
De acordo com as fontes da Bloomberg, a conclusão foi que a EA tinha em planeamento dois jogos de ação e ficção científica, cada um com um custo estimado em centenas de milhões de dólares:
- O próximo Mass Effect, que se acredita que se chamava Mass Effect Universe.
- Star Wars Battlefront 3, que é descrito como um novo shooter multijogador.
A EA terá optado por Star Wars por o considerar uma aposta menos arriscada e mais previsível. Um acordo com a Lucasfilm para produzir o jogo terá surgido pouco depois de a EA passar a ser uma empresa privada. Entretanto, a EA já tinha dito aos funcionários que a DICE e a Respawn iam trabalhar juntas num projeto futuro, que se julga ser precisamente este Battlefront.
O que mais pesou
Segundo a Bloomberg, a escolha entre as duas franquias não foi o único fator. Os jogos mais recentes da BioWare não foram tão bem recebidos como os anteriores, e o texto aponta ainda para a política interna da empresa. Uma reorganização de lideranças afastou Laura Miele, presidente de longa data da EA Entertainment, que defendia a BioWare e em particular Mass Effect. David Tinson e Cam Weber, ligados à EA Sports, foram promovidos nessa mesma altura. Tinson, hoje diretor de operações, e Weber, diretor de estúdios, terão enviado aos funcionários a carta de 21 de outubro sobre os cortes.
Num comunicado enviado à Bloomberg, a EA não entrou em detalhes sobre os motivos. “Chegámos coletivamente a esta decisão após meses de planeamento, revisão e análise, incluindo uma ponderação cuidadosa das condições de negócio em evolução, da dinâmica do setor e das nossas prioridades a longo prazo”, afirmou a empresa. E acrescentou: “Embora isto nunca seja fácil, temos, em última análise, de tomar decisões difíceis para focar as nossas equipas nas maiores oportunidades para o nosso futuro, incluindo investir em novos projetos em todo o nosso portefólio”.
A EA tinha anunciado, há cerca de dois anos, uma mudança estratégica que a afastava dos jogos licenciados, e cancelou há 18 meses um jogo de mundo aberto de Black Panther, fechando a Cliffhanger Games. O abandono dos títulos licenciados, porém, nunca foi total, já que a editora continua a desenvolver um jogo do Iron Man.









