
Kun Gao, o nome por trás da criação da Crunchyroll e que liderou a empresa como CEO durante anos, está de volta ao setor do anime com um projeto bem diferente do streaming que o tornou conhecido. Através da sua atual empresa, a Nakama, Gao lançou esta semana a AniBiz.com, uma plataforma que se apresenta como o primeiro mercado B2B dedicado exclusivamente à indústria global do anime, conforme avançou a revista norte-americana Variety.
Uma espécie de balcão único entre estúdios e marcas
O objetivo da AniBiz é relativamente simples de explicar, ainda que resolva um problema que há muito incomoda quem trabalha com licenciamento de anime: juntar, num único espaço digital, os detentores de direitos de propriedade intelectual, como estúdios de animação, comités de produção e empresas de gestão de direitos, com potenciais licenciados, sejam marcas de consumo, fabricantes, distribuidores, retalhistas, startups, criadores de conteúdos, estúdios de jogos ou empresas de entretenimento interessadas em explorar personagens e conteúdos de anime.
Segundo a própria empresa, a base de dados da plataforma já cobre milhares de séries anime, com o objetivo de tornar o processo de descoberta e aproximação entre as partes mais rápido e transparente do que o tradicional contacto informal ou as redes fragmentadas que ainda dominam o setor.
À lista de estúdios, emissoras e detentores de direitos já presentes na plataforma juntam-se nomes de peso da indústria japonesa, entre os quais Aniplex, Toei Animation, Avex Pictures, Dentsu, Pony Canyon, TOHO Global, TV Tokyo e TV Asahi, além de outras empresas como ADK, CyberAgent, Dai Nippon Printing, Fuji Creative Corporation, FuRyu Pictures, Hakuhodo DY Music & Pictures, IMAGICA Infos, MBS, Takara Tomy, TBS e YTV. De acordo com declarações de Gao, a expectativa é continuar a somar novos licenciadores à plataforma ao longo dos próximos meses.
Como funciona o modelo de negócio
O acesso à AniBiz está organizado em diferentes níveis. Existe uma opção gratuita, pensada para licenciados que queiram apenas criar um perfil pesquisável pelos detentores de direitos. Para quem procura mais do que isso, há um plano pago que, à data do lançamento, custa 49 dólares por mês e dá acesso a um fluxo de dados sobre títulos disponíveis, comités de produção e outras informações relevantes para negociações. Existe ainda um terceiro nível, mais personalizado, pensado para empresas com pedidos específicos.
Gao justificou a criação da plataforma com a forma como o setor sempre funcionou até agora. Em declarações à Variety, afirmou: “Durante décadas, o acesso à propriedade intelectual do anime dependeu, em grande medida, de quem conhecias”. Segundo o empresário, a AniBiz “abre a porta a categorias inteiramente novas de parceiros” ligados ao universo do anime.
Em conversa com a Anime News Network, Gao foi mais longe na explicação do problema que a plataforma tenta resolver, descrevendo como a complexidade do licenciamento de anime torna difícil tanto a entrada de novos licenciados no negócio como o trabalho dos detentores de direitos em encontrar e acompanhar esses mesmos parceiros ao longo do processo. Nas suas palavras, a lógica da plataforma passa por simplificar esse processo e “educar” novos parceiros para que consigam integrar-se naquilo a que chama a economia do anime.
O fundador da Crunchyroll mostra-se otimista quanto à escala do mercado ainda por explorar: “Nós simplesmente achamos que há um mundo inteiro lá fora com 10 vezes, 100 vezes mais licenciados do que já existem atualmente na indústria do anime”. A
Uma equipa com raízes na Crunchyroll
Gao não está sozinho neste projeto. A liderança da Nakama conta também com Brady McCollum, cofundador e atual CEO da empresa, e Sae Whan Song, cofundador da AniBiz, que já passou por empresas como a Toei Animation, a própria Crunchyroll e a Viz Media ao longo da carreira.









