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Furtos na Gamescom 2026 deixam estúdios indie sem portáteis e jogos inéditos em risco

A edição deste ano da Gamescom, em Colónia, ficou marcada por uma onda de furtos que atingiu vários expositores da feira, deixando estúdios independentes sem o equipamento com que preparavam meses, ou mesmo anos, de trabalho. Vários criadores relataram nas redes sociais o desaparecimento de portáteis e outro material das suas bancadas durante a noite, num incidente que já levou à apresentação de queixas junto da polícia alemã.

Um dos primeiros casos a tornar-se público foi o de Ryan Laley, criador independente que estava a mostrar o jogo de terror e sobrevivência assimétrica Mimic. Num vídeo publicado no X, Laley explicou que os portáteis com o jogo tinham sido roubados durante a noite, obrigando-o a interromper a sua participação no evento mais cedo do que previsto.

Nas suas próprias palavras: “Efetivamente, a minha Gamescom terminou mais cedo, já que todos os nossos portáteis foram roubados”. Laley acrescentou ainda que o assalto não se tinha limitado à sua bancada, com outros expositores da mesma zona também afetados, e que os responsáveis tinham levado apenas os equipamentos, deixando para trás os respetivos carregadores.

Visivelmente emocionado, o criador independente sublinhou a dimensão do prejuízo para quem trabalha sozinho no desenvolvimento de um jogo, descrevendo a situação como devastadora tanto a nível financeiro como emocional. O caso foi já reportado à organização da Gamescom e à respetiva equipa de segurança, que por sua vez encaminhou a situação para as autoridades policiais.

Horas depois, a editora iam8bit, responsável também pela organização do Summer Game Fest Play Days, veio confirmar através da sua conta oficial no X que também tinha sido alvo de um furto semelhante, com o desaparecimento de dois portáteis usados para mostrar os jogos Petal Runner e Escape Academy 2 à imprensa e a criadores de conteúdos presentes no evento.

Segundo a empresa, os equipamentos continham versões ainda inacabadas dos dois jogos, o que levanta agora o receio de que esse material possa acabar por ser divulgado sem autorização. A bancada da iam8bit situava-se muito perto da de Ryan Laley, ambas junto à entrada oeste do recinto Koelnmesse, na sala 4.1 da área reservada a profissionais, o que levou a suspeitar de que o mesmo grupo de indivíduos possa estar por trás dos dois furtos.

Mas os relatos não ficaram por aqui. O estúdio Tessera Studios, responsável pelo jogo The Zibbo Show, também denunciou ter sido alvo de um assalto ainda mais cedo na semana, com o armário da sua bancada, situada na zona indie do pavilhão 10.2, arrombado e dois portáteis e uma Steam Deck desaparecidos. Segundo o estúdio, os equipamentos continham não só a demonstração do jogo preparada para o evento, mas também informação pessoal e dados sensíveis da empresa.

Em resposta a outros utilizadores no X, a Tessera Studios afirmou ainda ter conhecimento de pelo menos mais dois casos semelhantes na bancada da Games from Spain, além de vários outros relatos espalhados por toda a feira.

Estes incidentes voltaram a colocar em causa a eficácia da segurança do maior evento de videojogos do mundo, que no ano passado recebeu cerca de 357 mil visitantes e contou com a presença de 1.568 expositores vindos de todo o globo. Muitos estúdios independentes optam por levar o seu próprio equipamento para as zonas de negócios e indie, esperando que o mesmo fique devidamente vigiado durante a noite.

A organização da Gamescom acabou por publicar um comunicado no X, admitindo estar ciente do desaparecimento de equipamento e compreender a frustração dos expositores afetados. Segundo a organização, existe segurança uniformizada em todo o recinto, mas a proteção individual de cada bancada pode ser contratada à parte, sendo recomendado aos expositores que sigam essa via e que segurem o próprio equipamento contra furto, conforme previsto nos termos de participação e nas orientações técnicas do evento. A organização garantiu ainda que todos os casos foram reportados às autoridades e que as investigações já estão em curso, reforçando que a segurança é uma das suas maiores prioridades.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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