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Portugal recebe retrospetiva dedicada a Satoshi Kon no Batalha Centro de Cinema

O Batalha Centro de Cinema, no Porto, revelou a sua programação para os próximos meses, que inclui uma sessão de O Meu Vizinho Totoro, de Hayao Miyazaki, e uma retrospetiva alargada dedicada à obra de Satoshi Kon, o realizador japonês responsável por alguns dos filmes de animação mais influentes das últimas décadas, apesar de ter deixado apenas quatro longas-metragens e uma série anime antes de morrer em 2010, aos 46 anos.

A retrospetiva decorre entre 18 de setembro e 6 de dezembro, reunindo os quatro filmes que Kon realizou ao longo da carreira, a série Paranoia Agent e ainda Memories, antologia de 1995 para a qual escreveu um dos três segmentos, sob produção de Katsuhiro Ōtomo, autor de Akira e mentor de Kon nos primeiros anos deste como argumentista de mangá.

Formado em design gráfico, Satoshi Kon estreou-se na realização em 1997 com Perfect Blue, um thriller psicológico centrado numa antiga idol de J-pop que, ao mudar de carreira para a representação, começa a perder a distinção entre a realidade e a ficção, ao mesmo tempo que é perseguida por fãs que se sentem traídos pela sua transição. O filme viria a ser reconhecido em festivais como o Tokyo Anime Award, mas o seu impacto mais duradouro sentiu-se do outro lado do mundo, Perfect Blue influenciou diretamente Darren Aronofsky, que anos mais tarde viria a realizar Black Swan.

Perfect Blue anime poster

Essa relação entre os dois cineastas remonta a 1998, quando Aronofsky esteve no Japão a promover o seu filme de estreia, Pi, e conheceu Kon pessoalmente. Aronofsky ficou impressionado com Perfect Blue e acabaria por recriar, ainda em Requiem for a Dream, um dos planos mais marcantes do filme japonês, o de a protagonista mergulhada numa banheira. Anos depois, Black Swan retomaria temas semelhantes aos de Perfect Blue, incluindo a pressão psicológica sobre uma jovem artista e a linha ténue entre sanidade e colapso mental.

O outro grande nome habitualmente associado à obra de Satoshi Kon é Christopher Nolan. Paprika, o último filme do realizador japonês, lançado em 2006, segue uma psiquiatra que utiliza uma tecnologia experimental para entrar nos sonhos dos seus pacientes. Quatro anos depois, Nolan lançaria Inception, com uma premissa próxima e sequências visuais que o próprio realizador reconheceu terem sido inspiradas por Paprika. Há ainda quem note ecos do estilo de Satoshi Kon no trabalho de Makoto Shinkai, sobretudo na forma como este mistura elementos de ficção científica com histórias do quotidiano.

Os seis programas da retrospetiva

Ao longo de quase três meses, o Batalha Centro de Cinema vai exibir a totalidade da filmografia de Satoshi Kon como realizador, além de uma das suas primeiras colaborações como argumentista:

  • Perfect Blue (1997) — sessões a 18 de setembro, às 21h15, e a 27 de setembro, às 17h15, ambas na Sala 1
  • Millennium Actress (2001) — sessões a 25 de setembro, às 21h15, e a 13 de novembro, às 19h15, ambas na Sala 2
  • Tokyo Godfathers (2003) — sessão única a 4 de outubro, às 17h15, na Sala 1
  • Paprika (2006) — sessão única a 10 de outubro, às 21h15, na Sala 2
  • Memories (1995), de Kōji Morimoto, Tensai Okamura e Katsuhiro Ōtomo — sessão única a 28 de outubro, às 19h15, na Sala 2
  • Paranoia Agent, episódios 1 a 6 — sessão a 4 de dezembro, às 21h15, na Sala 2
  • Paranoia Agent, episódios 7 a 13 — sessão a 6 de dezembro, às 17h15, na Sala 2

Paranoia Agent anime visual

Millennium Actress acompanha uma atriz japonesa retirada da vida pública que aceita participar num documentário sobre o seu percurso, misturando os papéis que interpretou ao longo da carreira com as suas memórias reais. Já Tokyo Godfathers segue três pessoas em situação de sem-abrigo em Tóquio que encontram um bebé abandonado na véspera de Natal e partem à procura dos pais da criança, numa história inspirada tanto na narrativa bíblica dos Reis Magos como no western Three Godfathers, de John Ford. Paranoia Agent, por sua vez, foi a única incursão de Kon na televisão, uma série de 13 episódios sobre um misterioso agressor de patins que aterroriza uma cidade japonesa, produzida pelo mesmo estúdio, o Madhouse, que também deu vida aos seus filmes.

Totoro traz a outra face da animação japonesa dos anos 80 e 90

Fora da retrospetiva dedicada a Satoshi Kon, o Batalha Centro de Cinema inclui ainda uma sessão de O Meu Vizinho Totoro, de Hayao Miyazaki, agendada para 3 de outubro, às 15h15, na Sala 1. O filme, de 1988, acompanha duas irmãs que se mudam para o interior do Japão com o pai, para ficarem mais perto da mãe hospitalizada, e que acabam por descobrir uma floresta habitada por criaturas fantásticas, entre as quais Totoro.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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