Antes mesmo de nós termos notícias relacionadas a uma vindoura série que abordaria tratar diretamente das aventuras do filho de Naruto e seus amigos, confabulávamos sobre a existência dessa série e sobre o que ela prometeria e também quais as adições que esta poderia trazer. Em meio a um mar de aproximações relacionadas aos finais de vários mangás – BLEACH, por exemplo –, Boruto e a sua existência eram uma incógnita. Naruto havia acabado de terminar, seus dois últimos capítulos haviam deixado um gosto amargo para alguns leitores e melancolia para outros já que após muito tempo acompanhando uma série que eles gostavam tanto a ponto de ter feito parte da infância de muitos dos nossos leitores e atingido um público em diferentes lugares ao redor do mundo. Porém, alguns meses se passaram e todos nós fomos surpreendidos por notícias em todos os lugares afirmando que existiria uma sequência direta da série – o que para muitos, já era esperado, afinal de contas: Quem é que não quer arrecadar mais um dinheiro em cima de uma série popular como Naruto? – e que o seu último capítulo definitivo se trataria de uma história já acontecendo nas realidades atuais do mundo Shinobi, onde não somente a história seria sobre Uzumaki Boruto como essa série teria como protagonista Uchiha Sarada?

Ao mesmo tempo que essa série era planejada para ser lançada dentro do mês de Abril, os fãs ficavam ansiosos para ter relapsos de como seria a nova geração de Shinobis já que o novo filme de Naruto se aproximaria e iria nos apresentar essa nova realidade com todos esses personagens novos que eram anunciados: Quem era Uzumaki Boruto? Quem era Uchiha Sarada? Quem é Mitsuki? O Naruto e o Sasuke estão muito velhos, quantos anos se passaram? E Perguntas nesse nível que preencheram muitos lugares de discussões – algumas até acaloradas – e que possibilitaria uma elevação ainda maior nos corações dos fãs em relação aos seus sentimentos para com a série anterior. Acabou que o filme teve o seu lançamento em Agosto, quando a série anime se aproximava, o arco criado por Masashi Kishimoto já havia sido finalizado e muitos fãs estavam se questionando: “Boruto é o novo Casos de Família?”

O Anime já havia sido encerrado, todos os fãs e até mesmo pessoas que desconheciam a série Naruto já bombardeavam canais de transmissão como Youtube com vídeos reações a grande batalha final, sabendo por fim o desfecho que a série tão aclamada por anos havia recebido. Naruto e Sasuke se enfrentaram em uma das batalhas mais bem animadas de toda a série, rivalizando com grandes momentos épicos do clássico e até mesmo batalhas memoráveis e emocionantes de tirar o chapéu que só poderiam ter sido feitas na sua segunda fase. Apesar disso, Naruto havia chegado ao fim e todos ainda se perguntavam qual o destino que a série deveria tomar. Durante esse tempo, alguns episódios fillers – como de costume, infelizmente – acabaram por tomar dê conta da série, adiando seu tardeiro final definitivo. Pierrot mais uma vez demonstrando não se importar com os seus fãs e esmiuçando até não poder mais a série original. Durante esse tempo, a série recebeu Novels que foram serializadas meses mais tarde – até mesmo recebendo cenários para serem jogados no jogo: Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4” lançado para Playstation 4, Xbox One e também para os PCs, não deixe de verificar – onde acompanharíamos as aventuras de personagens como Gaara e Shikamaru em seus dias finais dentro desse mundo que agora encontraria a verdadeira paz depois de muito esforço.

Porém, estávamos insatisfeitos com os rumos que essas derivações estavam recebendo. Ao menos, grande parte dos fãs não gostaria de ver que esse seria o infeliz fim que a série receberia, apenas recebendo mini-histórias que mais se pareciam com um episódio de alguma série Slice of Live (Cotidiano) do que propriamente Naruto. Mas quando nós menos esperávamos, recebemos notícias por todos os lados de que Boruto: Naruto Next Generation seria uma realidade e que a sua primeira história seria escrita e desenhada por Masashi Kishimoto, apenas depois disso recebendo os cuidados de Ukyo Kodachi e seu companheiro ilustrador, Mikio Ikemoto. Como disse Kishimoto em uma das primeiras entrevistas após a conclusão desse primeiro arco, a história e o clima ao redor de Boruto em sua idealização era para ser inicialmente algo mais feliz e com um sentimento mais agradável, porém seu desenvolvimento foi naturalmente ficando e se transformando em uma reviravolta mais sombria – detalhes narrativos esses que percorrem todo o arco que falaremos ao longo desse Veredito.

Cobrindo dos episódios 19 até o 23, tendo exatamente algo por volta de 11 capítulos na sua minissérie no mangá, “Naruto Gaiden: The Seventh Hokage and the Scarlet Spring” (Naruto Gaiden: O Sétimo Hokage e a Primavera Escarlate) ou nomeado no anime como Sarada Uchiha Arc, é nos apresentado como uma continuação da história original direta de Naruto dentro da minissérie no mangá e no anime de Boruto é seguindo alguns episódios após o término do primeiro arco, The Ghost Incident. A Aldeia havia acalmado os ânimos após as reviravoltas iniciadas no arco anterior e suas resoluções que para a alegria de todos os presentes, se encerrou da melhor maneira possível sem a morte de aldeões. Apesar disso, outros conflitos estão acontecendo com nossos personagens desde o primeiro episódio da série que são os dilemas familiares e que como ressaltados no primeiro Veredito, eram os melhores elementos narrativos dentro da série de Boruto e que se destacavam pelo quanto eles conseguiam entregar emoções dado as importâncias colocadas em cada diálogo e cada momento construído nesses pequenos problemas emocionais que nossos personagens passavam. Boruto sente a falta da presença daquela figura paterna que ele possuía até o momento onde seu velho acaba se tornando o Sétimo Hokage da vila e raramente aparece em casa. Enquanto isso, Sarada sente a falta de seu pai e começa a se questionar seriamente se as pessoas das quais ela foi dita ser filha são realmente seus verdadeiros pais. A Falta de Sasuke e até mesmo de informações advindas de Sakura sobre seu relacionamento com o Uchiha, acabam por gradativamente afetar a infância de Sarada, por mais próxima que ela seja da rosada.

Inicialmente, o arco ele possuí um grande foco nas conversas e nesses momentos de impacto entre os personagens durante seus diálogos que apesar de, como ressaltado no primeiro Veredito, ser um anime inteiramente focado na comédia infantil, acaba por ter excelentes momentos que sabem como tocar na ferida daqueles que o assistem por discutir um tema importante a ser levado em consideração que é: Quem são os nossos pais. Apesar da resolução final e as explicações, nota-se que o arco quis conversar sobre aquelas figuras que temos ao nosso lado, independente de quem seja, são aqueles que devemos carregar em nossos corações como parte da nossa verdadeira família, estejam elas ligadas ao nosso sangue ou não. E nesse ponto, eu sinto que Boruto executou muito bem a ponto de remeter arcos narrativos que a sua série anterior, Naruto Clássico, abordava com um primor raro de ser visto. Acompanhado a esses momentos, uma trilha sonora mais distante e ao mesmo tempo presente em quase todos os momentos porém de uma maneira sútil e bem dirigida ao longo dos episódios, lembrando os famosos momentos da série Original quando nos deparávamos com personagens solitários e uma trilha ao fundo que conseguia nos inserir em seus momentos de solidão como raros animes conseguem fazer.

Após a passagem do primeiro arco para o que viria a ser a adaptação da minissérie escrita e desenhada por Masashi Kishimoto, é notável um aprimoramento na direção das cenas principalmente quando nos deparamos com o início do arco e comparamos diretamente com as cenas escritas por Kishimoto. Enquadramentos bem dirigidos, uma animação que ainda é notório a falta de sombreamento nos personagens e a falta de cuidados que a série anterior possuía, mas que conseguimos notar um sentimento de carinho ao redor das animações dos personagens, sejam nas suas interações, suas interpretações – animações que dizem respeito a veridicidade de comportamento deles, como eles reagem a ações, e até mesmo nas expressões faciais, apesar que em alguns momentos claramente podemos ver que falta um polimento, sejam esses talvez os famosos elementos apressados para que a versão televisionada fosse ao ar o mais rápido possível mas que percebemos de imediato que serão esses talvez os detalhes que serão aprimorados em uma versão futura para os DVDs e Blu-Rays.

Além disso, apesar de se reaproveitar de muitas das trilhas orquestradas no primeiro arco, conseguimos notar um melhoramento no rearranjo das músicas e em como elas são colocadas através das cenas. Momentos onde as suas presenças são facilmente notadas mas que realizam um excelente trabalho de contribuir para a emoção e os sentimentos que determinados pontos dos episódios querem passar, incluindo momentos onde a inexistência dela auxilia bastante para a construção de conversas e interações que os personagens estão tendo. Outro detalhe a se notar é como as animações ainda sofrem do problema da inconstância, mostrando bem os pontos que a Pierrot ainda falha quando diz respeito a reproduzir cenas de ação e quais as decaídas que essas cenas sofrem. Momentos impactantes que deveriam passar uma sensação de angústia, peso, dor ou até mesmo sentimentos agradáveis, acabam falhando pelas animações não serem tão bem fluídas com exceção de um momento único que será descrito mais a frente. Apesar disso e recuperando o que mais uma vez já havia sido falado no primeiro veredito: Animações inconstantes que ocorrem em menor número e quantidade que a série anterior, o que não afeta em grande porcentagem a experiência que o telespectador terá ao assistir.

A Premissa inicial da história, como já dita anteriormente, são os problemas íntimos que os nossos personagens estão tendo com suas famílias e o grande estopim que movimenta essa história, inicialmente, é a descoberta de Sarada ao deparar-se com uma fotografia de seu pai junto dos seus antigos companheiros de equipe, Taka, incluindo uma mulher ruiva de óculos que conhecemos bem e que de primeira vista, a única coisa que entra na mente de Sarada é o questionamento de se ela é sua verdadeira mãe. Junto disso, temos a aparição de Uchiha Sasuke que entra em contato com Uzumaki Naruto para contactá-lo de uma aparição inconveniente que se deparou ao longo de sua viagem após o término de uma das suas missões ao redor do mundo. Vemos ao longo dos episódios, a busca de Sarada por conhecimento das suas origens, o Clã Uchiha, ocasionando em a menina descobrir que o Sétimo Hokage iria se encontrar com seu pai, oportunidade essa que ela não poderia perder por nada nesse mundo, já que faziam-se anos desde a última vez que ela havia o encontrado, nem mesmo lembrando de seu rosto.

Ao mesmo tempo, temos brincadeiras relacionadas a personagem Chocho que também está em busca de encontrar a figura paternal que ela havia se deparado em uma noite quando estava doente, uma figura carinhosa, gentil e que a encantou o suficiente para que embarcasse junto de Sarada na encosta de Naruto, o objetivo de encontrarem-se com seus país. Esse início é lento e recebe uma atenção a detalhes narrativos que não encontramos no mangá de Kishimoto, mas que segue fielmente a sua história levando os nossos personagens de um ponto até o outro com algumas coisas que acontecem no meio entre eles que acabam gerando as mesmas perguntas no telespectador que acompanhará a jornada dessas duas meninas ao lado de Naruto.

Boruto nunca foi um primor técnico no quesito de animação, estando bem longe de alcançar as perfeições que em alguns momentos eram atingidas ao longo da série Naruto e também Naruto Shippuden. Mesmos personagens que tinham grandes oportunidades de brilharem, tínham suas lutas bem-adaptadas e que não possuíam fluidez igual, porém como já vimos em Naruto x Pain, fluidez não faz uma luta e o sacrifício para adquirir uma luta que seja bem fluída é uma queda de qualidade incrível e imensa na sua parte gráfica – fora uma provável direção que não consiga cobrir o quão horripilante de desagradável isso pode ser para quem está assistindo, podendo ser um estopim para um futuro ódio e até mesmo desaforo daqueles que estão acompanhando a série para com do anime. Apesar disso e das inconstâncias já mencionadas sobre o anime de Boruto, existiu um dia que até hoje no arco atual e principalmente no filme, o primor de fluidez na animação, coreografia e qualidade gráfica atingiram o seu nível muito próximo de perfeição que é em uma das melhores lutas da história de Naruto – remetendo diretamente a elementos que um dia foram esquecidos e que são encontrados quase que unicamente na série Clássica: Sakura vs Shin.

Eu infelizmente sou incapaz de poder opinar de uma maneira que seja justa e condizente com o meu lado profissional, porque eu não tenho ideia de quanto tempo eu esperei para que essa personagem enfim recebesse uma luta a sua altura mostrando do que ela é realmente capaz e o porque dela ser uma das melhores personagens da série quando se diz respeito ao nível de qualidade coreografa você consegue tirar das lutas dela. E depois do que pode ser contabilizado como 5 anos, provavelmente, enfim a personagem recebeu uma luta bem animada, bem coreografada e que enfim trouxe de volta a personalidade bruta que a personagem possuí em suas lutas. Sakura é a personagem que vai levar cotoveladas e socos na cara e vai revidar uma testada no inimigo para ele aprender a bater como gente! Dá uma olhada nisso.

Vocês viram isso? Provavelmente vocês devem estar entendendo porque eu estou perdendo tanto tempo só comentando sobre esse momento porque é enfim uma personagem que muitas pessoas sempre esperaram uma batalha bem coreografada, bem animada e um momento de importância dado a ela depois de tantos anos de espera. E finalmente, em uma cena que NÃO EXISTE NO MANGÁ, ela ganhou a sua devida importância em uma das cenas que na minha opinião mais pessoal, pode ser considerada uma das melhores lutas da história de Naruto. Essa coreografia dos personagens trocando socos e golpes com Kunai, até a Sakura desarmando ele com uma testada, a falta de insegurança e o foco na brutalidade em seus socos, a coragem e a determinação de a todo custo acertar um golpe em cheio no vilão que ela está enfrentando: Essa é a Sakura que todos nós gostávamos, uma personagem bruta.

Além disso, as brincadeiras com câmera nessa cena são espetaculares pois uma das poucas coisas que as pessoas conseguem identificar nessa cena é que ela está se passando em uma visão de cabeça para baixo. O Combate acontece nas laterais da pilastra que a personagem destruiu, passando para o teto dessa região rocheosa que eles estão e finalizando com uma queda livre. E o trabalho da direção nessas cenas de combate, sabendo distribuir bem os detalhes nos lugares certos, focado na fluidez da animação e colocando as devidas colorações e sombreamentos nos lugares que devem ser colocados para dar uma vida para toda essa construção, é de aplaudir. Pierrot quando ela possuí a força de vontade necessária, ela consegue acertar. O que acaba por nos deixar triste em diversos momentos, porque nós conseguimos ver que as pessoas dentro do estúdio são capacitadas, elas possuem uma paixão pelo que fazem e são muito habilidosos, mas que as vezes acabamos ver o pior lado criativo daqueles que estão ali dentro, preferindo o preguiçoso ao invés do fluído e o bem trabalhado. Tempo e Dinheiro é requisitado para essa escolha possa ser realmente atingida, nós sabemos disso, porém é decepcionante o quão mal distribuído esse tempo e dinheiro acaba sendo em alguns momentos. Porém, felizmente, esses momentos finais do arco de Boruto receberam a atenção necessária e essa luta da Sakura será para sempre memorável.

O Arco se encerra de uma maneira emocionante, tendo dentro de si dois plot twists seguidos mas que contribuem para o que esse arco quer dizer para não somente os fãs como também aqueles que apenas estão conhecendo a série e, principalmente, o público infantil que acompanhará esses personagens. É notório a melhoria não somente narrativa como também na direção do anime, cada vez mais a Pierrot conseguindo se encontrar com os personagens, gradativamente conseguindo distribuir bem os seus recursos e sendo notório o quão bem eles estão ficando nisso já que conseguiram entregar não somente uma excelente luta de uma das personagens quase esquecidas da série no quesito combate, como entregaram uma cena que não existe no mangá com um primor de animação muito próximo do que o estúdio tinha o costume de fazer. E por essas razões, eu recomendo fortemente esse arco – tanto no mangá, quanto principalmente no anime.

Sarada Uchiha Arc é talvez o meu arco preferido de Boruto no atual momento que essa postagem está sendo realizada. Nós temos três arcos no anime e um arco novo acontecendo nesse instante dentro do mangá escrito por Ukyo e desenhado por Ikemoto, porém nada me deixou tão satisfeito depois de sair de uma experiência que me gerou tantos sentimentos gratificantes que dizem respeito ao teor narrativo e o quão bem realizado eu me sentia após uma batalha épica que a Pierrot entregou com uma das minhas personagens favoritas da série que infelizmente eu acabava por esquecer mais e mais do potencial que ela tinha como uma combatente. Como eu já havia dito, é uma série descompromissada de entregar narrativas complexas mas que abordava temas importantes de maneira subjetiva aqui e ali, se mostrando ainda mais forte como sendo inclusive tema principal desse arco como um todo que é: Parentesco. Eu sou Weslley de Sousa e esse foi o Veredito sobre: “Naruto Gaiden: The Seventh Hokage and the Scarlet Spring” e “Boruto: Sarada Uchiha Arc”.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.