O canal de YouTube da Tezuka Productions divulgou esta sexta-feira o primeiro trailer de Tezuka: God of Manga, um documentário dedicado a Osamu Tezuka, o homem que moldou praticamente tudo o que hoje se entende por mangá e anime. A par do trailer, foi confirmado que o projeto vai lançar uma campanha de financiamento no Kickstarter, embora a data de início ainda não tenha sido anunciada.
Por detrás do projeto está Jason Andrew Cohn, realizador galardoado com o Prémio Peabody pelo documentário EAMES: The Architect and the Painter, produzido para a PBS. A equipa da Bread & Butter Films completa-se com Camille Servan-Schreiber, Jinko Gotoh, Glen S. Fukushima e Roland Kelts.
Uma lista de entrevistados que fala por si
O documentário já conta com depoimentos de alguns dos criadores mais influentes da história do mangá e do anime. Katsuhiro Ōtomo (Akira), Naoki Urasawa (Monster, Pluto), Go Nagai (Devilman), Yoshiyuki Tomino (Gundam) e Riyoko Ikeda (The Rose of Versailles) são alguns dos nomes confirmados. Juntam-se-lhes o co-fundador da MADHOUSE Masao Maruyama, o diretor Rintarō (Metropolis) e académicos de referência como Fred Schodt, autor de Manga! Manga!, e Helen McCarthy, autora de The Art of Osamu Tezuka: God of Manga. Também fazem parte do projeto a autora de fantasia Ada Palmer, Samuel Sattin (Unico Awakening) e o realizador Jorge R. Gutiérrez (The Book of Life).
Caso a campanha de financiamento seja bem-sucedida, estão previstos depoimentos adicionais de Paul Pope e Ronald Wimberly.
O filme está estruturado em três partes, a ascensão de Tezuka no Japão do pós-guerra, o período dos anos 60 em que o seu estilo foi desafiado pelas transformações da indústria, e o regresso em força com obras como Black Jack. Se o financiamento for concluído, a meta de conclusão aponta para 2028, ano em que Tezuka faria 100 anos.
Quem foi Osamu Tezuka
Nascido em 1928 e falecido em 1989, Tezuka é mundialmente reconhecido como o criador de Astro Boy e é frequentemente apelidado de “Deus do Mangá”. A comparação com Walt Disney é recorrente, mas, para Helen McCarthy, fica muito aquém da realidade. Na sua obra The Art of Osamu Tezuka: God of Manga, a autora escreveu que Tezuka era “mais parecido com Walt Disney, Stan Lee, Jack Kirby, Tim Burton, Arthur C. Clarke e Carl Sagan todos reunidos num único criador incrivelmente prolífico”.
Os números ajudam a perceber a escala do que está em causa. Ao longo de uma carreira de 40 anos Tezuka criou mais de 700 volumes mangá, num total estimado de 150.000 páginas de ilustrações. Produziu ainda outros 200.000 páginas de guiões e storyboards para quase 500 episódios de várias séries anime, além de numerosas curtas e longas-metragens de animação premiadas.
A influência de Tezuka extravasa largamente o Japão. Criadores como Ōtomo ou Urasawa, eles próprios referências mundiais, cresceram a ler o seu trabalho, e as técnicas narrativas que ele desenvolveu nas décadas de 1950 e 60 continuam a definir a linguagem visual do mangá até hoje. Astro Boy foi também a primeira série animeo semanal do Japão, inaugurando um modelo que viria a dar origem ao anime tal como existe atualmente.










Seria interessante também juntar Mauricio de Sousa ao elenco de nomes convidados, não só pela amizade como inspirou o desenvolvimento da Turma da Mônica.