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Daemons of the Shadow Realm recusa-se a ser um shonen normal

Daemons of the Shadow Realm anime visual 2 (1)

Desde que estreou a 4 de abril de 2026 na Crunchyroll, Daemons of the Shadow Realm (Yomi no Tsugai) tem sido um dos animes mais comentados da temporada. O regresso de Hiromu Arakawa, a criadora de Fullmetal Alchemist, ao mundo do shonen, em parceria com o estúdio Bones Film, já era em si razão suficiente para atenção. Mas o que Noboru Takagi, o guionista da série, disse numa recente entrevista publicada pela Febri ajuda a perceber por que a série funciona de forma tão distinta do que o habitual no género.

Takagi foi escolhido para o projeto depois de ter trabalhado como guionista em Metallic Rouge (2024), também do estúdio Bones. A própria convocatória surpreendeu-o: “Esta obra é claramente um ‘grande projeto’, por isso fiquei surpreendido, mas também honrado e muito feliz”.

Uma estrutura que recusa crescer em linha reta

O que Takagi descreve como o maior desafio técnico da adaptação é também o que torna a série visualmente e narrativamente interessante. O mangá de Arakawa não segue uma progressão linear, em vez disso, a história expande-se de forma radial, com a construção do mundo a crescer em várias direções em simultâneo. “Não é construída sobre uma trama linear. Em vez disso, expande-se radialmente para o exterior, com a construção do mundo a espalhar-se em muitas direções, tem uma estrutura muito única”, explicou Takagi na entrevista.

Essa arquitetura narrativa criou um problema imediato para a produção, onde terminar cada episódio. “Por isso, decidir onde terminar cada episódio foi um grande desafio”. A solução passou por apostar deliberadamente no gancho, Takagi admite que tem “sempre sido particular em relação aos ‘ganchos'” e que fica satisfeito quando os espetadores ficam com a pergunta “o que acontece a seguir?” no pensamento.

O primeiro episódio é precisamente o exemplo mais acabado desta abordagem, termina num cliffhanger que não resolve nada, e faz-nos querer o segundo de imediato. Não é acidente, é uma escolha calculada de estrutura.

A dualidade como princípio central

A série começa com uma cena de parto, duas crianças que nascem gémeas, os seus destinos ligados separadamente ao dia e à noite. É o ponto de partida da dualidade que Takagi identifica como o coração de tudo. Os gémeos Yuru e Asa foram separados quando eram crianças e a série acompanha a tentativa de se reencontrarem, mas a oposição entre os dois irmãos percorre cada camada da narrativa, nos nomes, nos Daemons, nos poderes, nas escolhas.

Para Takagi, esta abordagem distingue Daemons of the Shadow Realm dos animes shonen mais convencionais: “Nas histórias de ação ou sobrenaturais típicas, a vida quotidiana existe por causa da ação ou do sobrenatural, por isso o equilíbrio tende a pender para esses elementos. Mas em [Daemons of the Shadow Realm], estão sempre equilibrados de forma uniforme”.

A fidelidade ao mangá como ponto de partida

O processo de adaptação partiu de um entendimento claro com a equipa de produção, fidelidade ao trabalho original, sem cedências. “Desde o início, partilhámos o entendimento de que iríamos ‘manter-nos fiéis à obra original’, por isso também não houve muita consulta da nossa parte”. Takagi acrescentou: “Quando me é confiada uma obra original, sinto a responsabilidade de garantir que o seu apelo é transmitido amplamente. Trabalhar dentro de várias restrições para o conseguir é o que mais priorizo”.

Esta não é uma declaração de intenções genérica. A reunião entre Arakawa e o Bones Film traz consigo um peso histórico significativo, o estúdio adaptou os dois animes de Fullmetal Alchemist, o original de 2003 e o mais fiel Fullmetal Alchemist: Brotherhood de 2009.

O mangá, serializado na Monthly Shōnen Gangan desde dezembro de 2021, conta já com 12 volumes publicados e mais de três milhões de cópias em circulação em formato físico e digital.

O que vem a seguir na primeira temporada

Os 24 episódios confirmados deixarão a história no meio de algo, e Takagi antecipa isso sem pedir desculpas. “No ponto que o anime cobre, não temos nenhuma ideia do que acontecerá a Yuru e Asa daqui para a frente. No entanto, como sugerido pelo título ‘Tsugai’, assim como ‘selo’ e ‘libertação’, e até pelos seus nomes ‘noite’ e ‘manhã’, esta obra está estruturada em torno de pares de elementos opostos em todos os níveis. Imagino que daqui para a frente, ‘conflito’ e ‘harmonia’ provavelmente virão a chocar-se com o seu destino de formas complexas”.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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