No dia 2 de maio de 2026, durante o concerto de gala que assinalou o décimo aniversário de Girls’ Frontline no Centro Nacional de Exposições e Convenções de Xangai, a Sunborn Network Technology aproveitou o momento para revelar não um, mas dois novos jogos. O mais ambicioso dos dois foi Reverse Collapse: F, um shooter cooperativo na terceira pessoa em desenvolvimento com Unreal Engine 5, anunciado para PlayStation 5, Xbox Series, PC, iOS e Android, com lançamento previsto para 2028.
O anúncio foi feito por Yuzhong, fundador da Sunborn e rosto do estúdio interno MICA Team, que subiu ao palco durante o intervalo e o momento final do concerto, onde a Orquestra Sinfónica de Xangai, o Vanguard Sound e o Coro da Ópera de Xangai interpretaram músicas dos jogos da franquia.
O que se sabe sobre o jogo
Reverse Collapse: F é apresentado como o “título global de próxima geração”. O desenvolvimento começou a meados de 2024 e o orçamento já ultrapassa os 500 milhões de renminbi (cerca de 69 milhões de euros ao câmbio atual), com Yuzhong a liderar o projeto pessoalmente.
A mecânica central gira em torno de equipas de quatro jogadores que completam missões cooperativas num mundo de ficção científica pós-colapso. O universo do jogo decorre após a Guerra Antártica que serve de pano de fundo à série Reverse Collapse, e coloca os jogadores no papel dos “Gifted”, sobreviventes que incluem humanos, Tactical Dolls e Shrikes, numa jornada de exploração de territórios desconhecidos e hostis.
Uma das apostas mais distintivas do design é a progressão partilhada entre servidores, em vez de cada jogador completar missões de forma independente, as ações coletivas de toda a comunidade avançam eventos globais e desbloqueiam novos conteúdos narrativos. É uma tentativa declarada de resolver um dos problemas mais comuns nos shooters cooperativos ao vivo, os jogadores consomem o conteúdo mais depressa do que as equipas de desenvolvimento conseguem criar, e a solução passa por fazer da própria comunidade um agente da narrativa.
O universo da Reverse Collapse já tem raízes no catálogo da MICA Team, a série começou com o jogo doujin Codename: Bakery Girl em 2013, seguido pelo remake Reverse Collapse: Code Name Bakery, lançado em 2024 para PC, Nintendo Switch e mobile com críticas muito positivas no Steam. Reverse Collapse: F não é uma sequela direta, mas expande esse universo para uma escala e um género completamente diferentes.
A Sunborn é um estúdio com uma trajetória incomum. Fundada em 2015 a partir de um grupo de criação doujin que Yuzhong formou ainda estudante, cresceu até se tornar um dos principais estúdios de jogos gacha da China, com Girls’ Frontline a alcançar um equilíbrio de receitas de 1:1 entre o mercado doméstico e os mercados globais nos seus anos mais fortes. O estúdio tem também uma participação de 20% da Tencent desde 2021.
O que diferencia este anúncio é a escala da ambição. A Sunborn posicionou-se historicamente num nicho de “2D + estratégia” e resistiu à pressão para competir com jogos de grande orçamento, uma abordagem deliberada, como Yuzhong explicou em entrevistas anteriores. Reverse Collapse: F representa uma viragem explícita para o mercado global AAA, num género dominado por estúdios ocidentais e com poucos casos de sucesso no segmento de shooters com estética anime.
O segundo jogo anunciado na mesma noite, Girls’ Frontline: Contract of the Blue Butterfly, é um shooter cooperativo PvE mais acessível baseado diretamente na IP Girls’ Frontline, desenvolvido pela Hecate Team, uma subsidiária distinta da Sunborn, e previsto para 2026.









