
A Netflix confirmou esta terça-feira, 5 de maio de 2026, curiosamente o dia de aniversário de Monkey D. Luffy, que a primeira temporada de The One Piece, o remake do anime produzido pelo Wit Studio, o estúdio por detrás de Attack on Titan, Spy x Family e Vinland Saga, estreia mundialmente em fevereiro de 2027. Todos os sete episódios ficarão disponíveis ao mesmo tempo na plataforma.
A data chega depois de meses sem novidades concretas sobre o projeto, que tinha sido anunciado pela primeira vez no evento Jump Festa ’24, em dezembro de 2023. Para além da janela de estreia, foram também divulgadas novas artes conceptuais que mostram uma cena da infância de Luffy na Aldeia dos Moinhos de Vento.
O que vai ser adaptado
A primeira temporada cobre os primeiros 50 capítulos do mangá de Eiichiro Oda, desde o início da saga East Blue até ao encontro de Luffy com Sanji no restaurante flutuante Baratie. Os episódios terão uma duração média de cerca de 42 minutos cada, quase o dobro do formato habitual de um episódio de anime, totalizando aproximadamente 300 minutos.
O anúncio deixou também em aberto a possibilidade de a série ir além da East Blue Saga. O comunicado original refere que a adaptação começa “a partir de” essa saga, o que pode sugerir que arcos futuros estejam já a ser equacionados, mas nada foi confirmado até ao momento.
A equipa por detrás do projeto
À frente da produção está Masashi Koizuka, que dirigiu episódios de Attack on Titan e o filme Moonrise. Hideaki Abe assume o papel de diretor assistente, enquanto o design de personagens e a direção de animação principal ficam a cargo de Kyoji Asano (Attack on Titan, Spy×Family) e Takatoshi Honda (The First Slam Dunk). Os guiões da série são da responsabilidade de Taku Kishimoto, conhecido pelo trabalho em Haikyu!! e Ranking of Kings.
Outros nomes relevantes incluem Eri Taguchi no design de adereços (Vampire in the Garden, Play It Cool, Guys), Yasuhiro Kajino no design de criaturas e image boards (In/Spectre), e Tomonori Kuroda como diretor de arte, com créditos em A Certain Magical Index e A Certain Scientific Railgun.
George Wada, presidente e CEO da Wit Studio e da Production I.G, foi claro em março ao revelar que a ideia nasceu de uma reflexão do próprio Eiichiro Oda. Segundo Wada, o autor sentiu que a série se tinha tornado demasiado longa e densa para atrair uma nova geração de espectadores, especialmente quando comparada com produções contemporâneas. “Ele sentiu um certo arrependimento por isso e quis que as novas gerações conhecessem e acompanhassem a história”, disse Wada. “Isso motivou-me a refazer esta grande história utilizando técnicas modernas adequadas ao público de hoje”.
O Wit Studio tem como referência o trabalho que fez em Attack on Titan, Spy×Family e Vinland Saga, séries com horário noturno no Japão e um registo cinematográfico mais exigente. A diferença em relação ao anime original da Toei Animation, que durante décadas ocupou um horário matinal dedicado ao público infantil, é assumida pela produtora. Ainda assim, Wada sublinhou que o objetivo é respeitar o trabalho da Toei, e não apagá-lo.
A questão do ritmo é central nesta abordagem. O anime de 1999 foi, ao longo dos anos, criticado por episódios desnecessariamente alongados e por sequências de fillers que pouco ou nada acrescentavam à narrativa. O Wit Studio quer precisamente evitar esse padrão, apostando numa estrutura mais concentrada e eficaz, o que explica sete episódios para cobrir 50 capítulos do mangá.
O universo One Piece em 2026 e 2027
O remake não chega isolado. A segunda temporada live-action, One Piece: Into the Grand Line, estreou na Netflix a 10 de março deste ano, com os dois primeiros episódios a serem exibidos em mais de 200 salas de cinema no Canadá, nos Estados Unidos e no Japão. A terceira temporada da série em live-action, com o subtítulo The Battle of Alabasta, está prevista para 2027. Ainda este ano, a 29 de setembro, chega à Netflix um especial animado em formato LEGO.
Do lado do anime original da Toei, a situação também sofreu alterações. O produtor Ryūta Koike anunciou que, a partir de 2026, o número anual de episódios passará a ter um máximo de 26, divididos em duas partes. Depois de uma pausa de três meses entre janeiro e março, o anime regressou a 5 de abril com o arranque do arco Elbaph. A Toei justificou a mudança como uma oportunidade para “incorporar mais conteúdo, ritmo e cadência do mangá”.
Com mais de 600 milhões de cópias do mangá vendidas em todo o mundo desde março de 2026, One Piece continua a ser uma das propriedades intelectuais mais valiosas do entretenimento global.









