
Quem esperava que os preços da memória RAM começassem a estabilizar em breve pode ter de rever essa expectativa. Um dos engenheiros por trás da Steam Machine, a mais recente aposta da Valve numa consola para a sala de estar, acaba de confirmar aquilo que muitos jogadores já receavam, a crise da memória não só continua, como está a piorar.
As declarações surgem numa altura em que o preço elevado do hardware de jogo se tornou um dos temas mais discutidos da indústria em 2026, e chegam precisamente da boca de quem ajudou a desenhar um dos aparelhos mais afetados por esse mesmo problema.
A Steam Machine, o mini-PC de sala de estar da Valve, chegou ao mercado com um preço superior a mil euros, algo que ficou a dever-se em larga medida à falta de componentes. A máquina foi anunciada oficialmente em novembro de 2025, e segundo o próprio Yazan Aldehayyat, engenheiro da Valve envolvido no projeto, a equipa já contava com alguns problemas de fornecimento nessa altura, mas não com a escala que acabou por se verificar.
Foi precisamente Aldehayyat quem, numa entrevista ao jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, veio confirmar que a situação está longe de se resolver. Questionado sobre a evolução dos preços da memória, foi direto: “Sinceramente, ainda está a piorar. Só para o caso de as pessoas não saberem, aquilo que as pessoas estão a ver nas prateleiras das lojas neste momento, pelas nossas observações, está atrasado em relação àquilo que estamos a ver ao nível do fornecimento em grande escala em pelo menos três a seis meses”.
Por outras palavras, os preços que os consumidores veem hoje nas lojas ainda refletem custos de meses atrás, o que sugere que subidas adicionais podem ainda não ter chegado às prateleiras.
Mesmo assim, a Valve não desiste da ideia
Apesar do cenário pouco animador em torno dos preços, Aldehayyat mantém-se confiante quanto à proposta de valor da Steam Machine em si. Para o engenheiro, o objetivo de trazer a experiência de jogar em PC para a sala de estar continua a justificar a aposta, independentemente da fase de preços elevados que a indústria atravessa.
“Achamos que a Steam Machine é uma forma muito boa de resolver um problema bastante real que as pessoas têm”, afirmou. “Se isso se vier a confirmar, na nossa opinião, é um sucesso”.
Pierre-Loup Griffais, outro engenheiro da Valve presente na mesma conversa com a Bloomberg, acrescentou que a empresa está a tentar contornar a escassez recorrendo a múltiplos fornecedores. Griffais resumiu a situação de forma direta: “Estamos basicamente a construir tudo o que conseguimos obter”, acrescentando ainda que a empresa está “limitada pela capacidade de memória, com toda a certeza”.
Quanto ao futuro dos preços, Aldehayyat acredita que a situação acabará por se resolver de uma de duas formas, ou os preços descem, ou o patamar atual passa simplesmente a ser encarado como normal pelos consumidores, deixando de ser motivo de debate.
Os comentários de Aldehayyat não surgem isolados. Semanas antes, a Lenovo já tinha alertado para o facto de que os preços da memória DRAM e NAND dificilmente vão regressar aos valores praticados em 2024 e no início de 2025. A fabricante chegou a admitir, durante uma apresentação na conferência ISC 2026, que mesmo os investimentos já anunciados por grandes fabricantes de memória podem não ser suficientes para travar a subida de preços antes do final da década, apontando para 2030 como o horizonte mais provável para um novo “normal”, ainda assim bem mais caro do que o que os consumidores conheciam há poucos anos.
A procura crescente de memória por parte de empresas de inteligência artificial e centros de dados tem sido um dos principais motores desta escassez, que já se reflete noutros equipamentos de jogo além da Steam Machine, casos as subidas de preço da Xbox Series X, PS5 e Nintendo Switch 2.







