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Take-Two tenta manter em segredo nova fase da investigação às leaks de GTA 6

A Take-Two Interactive está a pedir aos tribunais norte-americanos que mantenham sob sigilo o mais recente pedido de informação relacionado com a leak de Grand Theft Auto VI, num processo que a própria editora descreve como estando em rápida evolução. O pedido surge dias depois da apresentação alargada do jogo através da Netflix e coincide com a retirada de um outro requerimento, este dirigido ao YouTube, que a empresa já não considera necessário.

Tudo começou há cerca de duas semanas, quando uma conta identificada como Cyberleek começou a publicar vídeos de jogabilidade de Grand Theft Auto VI, meses antes do lançamento do jogo, marcado para novembro. A reação da Take-Two foi imediata, uma vaga de notificações de remoção de conteúdo e uma série de pedidos ao abrigo da DMCA, apresentados num tribunal federal, com o objetivo de identificar quem estava por trás da divulgação.

Estes pedidos ao abrigo da DMCA são uma ferramenta legal que permite a detentores de direitos de autor pedir informação a terceiros sem terem de avançar imediatamente para uma ação judicial contra alguém. Neste caso, a editora recorreu à ferramenta para lançar uma rede bastante ampla, visando milhares de utilizadores do Discord.

O primeiro pedido dirigido ao Discord foi tornado público, o que permitiu que vários órgãos de comunicação social identificassem os três servidores visados, entre eles um associado ao criador de conteúdos DarkViperAU. Esse pedido, segundo a Take-Two, foi emitido a 21 de agosto e notificado ao Discord pouco depois, embora os registos do tribunal não confirmem essa emissão da forma habitual.

Vale a pena notar que Ryan Rigney, do Discord, tinha afirmado publicamente na rede social X, a 24 de agosto, que a empresa ainda não tinha sido notificada de qualquer pedido por parte da Take-Two, acrescentando que a plataforma pretendia avaliar a validade e o alcance do pedido antes de responder.

Um segundo pedido, desta vez sob sigilo

Foi precisamente um dia depois da transmissão do vídeo alargado de Grand Theft Auto VI na Netflix que a Take-Two voltou a recorrer aos tribunais. Desta vez, a empresa pediu um novo subpoena dirigido ao Discord, mas com uma diferença fundamental, solicitou que os detalhes fossem mantidos fora do domínio público.

Ao contrário do primeiro pedido, que listava abertamente os servidores visados, este segundo requerimento pede ao tribunal que o arquive sob sigilo, ocultando por completo a identidade dos alvos.

A empresa afirma ter identificado um utilizador adicional do Discord e obtido informação de identificação suplementar sobre um utilizador previamente identificado, além de mais dados relativos aos servidores já referidos no pedido anterior, para os quais procura agora informação mais específica.

Na justificação apresentada ao tribunal, a Take-Two argumenta que tornar este pedido público beneficiaria diretamente quem está a ser investigado. O requerimento para manter o processo selado sustenta que os documentos em anexo revelam informação sensível e confidencial sobre uma investigação em curso relacionada com violação de direitos de autor e apropriação indevida de informação confidencial da empresa.

A Take-Two receia mesmo que os visados, referindo-se a mais do que uma pessoa, possam destruir ou ocultar provas relevantes caso tenham conhecimento do avanço do processo.

Por agora, este novo pedido permanece fora do alcance público e o tribunal ainda não decidiu se assim continuará. O próprio subpoena, note-se, ainda não foi formalmente emitido.

Curiosamente, a mesma ideia de uma investigação em rápida evolução foi também usada pela Take-Two para justificar o sentido inverso noutra frente do processo. A empresa tinha anteriormente pedido à Google que identificasse os responsáveis por três perfis no YouTube associados a um dos vídeos com leaks: CyberLeeks, Surfer24k e CyberLeek_ar_io.

O juiz John P. Cronan recusou-se a validar esse pedido sem informação adicional sobre a ligação entre os três perfis e o vídeo em causa. A Take-Two chegou a fornecer alguns detalhes extra, mas acabou por retirar o pedido, alegando precisamente a evolução da investigação e afirmando já não necessitar dos dados solicitados ao YouTube.

A Take-Two reserva, no entanto, o direito de voltar a contactar a Google com um novo pedido no futuro. Para já, contudo, essa via fica encerrada, ficando o foco da investigação centrado nas novas exigências dirigidas ao Discord.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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