
A 16 de março, a empresa japonesa PANDORA Inc., sediada no bairro de Shibuya em Tóquio, anunciou o registo oficial das marcas XTuber (número de registo 7013107) e クロスチューバー — a leitura em japonês do termo, com registo 7013108. O anúncio foi feito através de comunicado de imprensa e rapidamente gerou reações divididas na comunidade VTuber japonesa.
Pronunciado “cross-tuber”, o termo designa o que a PANDORA descreve como uma nova categoria de criadores de conteúdo de “próxima geração”, talentos que atuam tanto através de um avatar virtual, à semelhança dos VTubers tradicionais, como em formato físico, mostrando a pessoa real por detrás da personagem. O conceito posiciona a atividade virtual não como uma máscara permanente, mas como uma segunda vida paralela à presença real do criador.
A PANDORA parte de um diagnóstico simples sobre o mercado atual, a cultura VTuber amadureceu e criou uma convenção não escrita de que a identidade real dos criadores nunca seria revelada. A agência quer quebrar essa premissa sem abandonar o que torna o formato apelativo, a liberdade criativa e a separação entre personagem e pessoa.
Na prática, um XTuber seria alguém que pode aparecer nos dois planos, como avatar digital nas transmissões em linha e como pessoa física em eventos, colaborações ou outros contextos. A PANDORA quer tratar esta dupla presença como um ponto de valor, e não como uma rutura com a cultura VTuber.
Para tornar o conceito em algo concreto, a agência lançou em fevereiro de 2026 o Project YOHANE, um programa de audições aberto ao público geral, incluindo pessoas sem experiência prévia, sem equipamento e sem o ambiente de produção habitualmente necessário para entrar no setor. A candidatura não exige que os participantes mostrem o rosto nesta fase. O projeto tem como figura central um modelo virtual partilhado chamado Yohane Uka.
A reação da comunidade
O anúncio não passou sem resistência. As críticas concentram-se em dois pontos distintos.
O primeiro é pragmático, as diretrizes da YouTube para criadores proíbem explicitamente o uso do termo “Tuber” em nomes oficiais, e mencionam especificamente as marcas registadas como algo que não é permitido. O VTuber enquanto termo genérico existe precisamente porque nunca pertenceu a nenhuma entidade, ao contrário do que a PANDORA está agora a tentar fazer com XTuber. Esta diferença pode criar complicações legais para a agência ou para os criadores que adotem a designação.
O segundo ponto é mais ideológico, muitos utilizadores argumentaram que o conceito de criadores que operam em simultâneo no espaço virtual e no mundo físico não é novo. Há anos que existem VTubers que participam em eventos presenciais, que revelaram a sua identidade real, ou que têm uma presença pública paralela ao avatar. Registar uma marca sobre esse comportamento foi visto por parte da comunidade como uma tentativa de apropriar algo que já pertencia ao espaço público.
A PANDORA não respondeu publicamente às críticas até ao momento, mas prosseguiu com os planos de produção e com o recrutamento para o Project YOHANE.








