
Enterrada no relatório financeiro anual de 2025 da CD Projekt está uma frase que está a agitar a comunidade de jogadores: “Nos próximos trimestres, o estúdio vai focar-se principalmente no desenvolvimento contínuo dos projetos em curso; planeamos também publicar um dos projetos de jogo até agora não anunciado”. O documento não diz o que é esse projeto. A empresa também não quis dizer, apesar de ter sido questionada diretamente durante a conferência de resultados.
A escolha da palavra “publicar”, e não “desenvolver”, não passou despercebida. Implica que a CD Projekt não está a criar o projeto internamente, mas sim a editá-lo, o que é coerente com os rumores que circulam há meses sobre o envolvimento da Fool’s Theory, o estúdio polaco, formado em grande parte por antigos colaboradores da CD Projekt e atualmente responsável pelo remake de The Witcher 1, que estaria paralelamente a desenvolver uma nova expansão para The Witcher 3. Durante a conferência de resultados, os gestores da empresa foram questionados especificamente sobre a Fool’s Theory e responderam de forma deliberadamente vaga: “No que respeita ao projeto da Fool’s Theory, como foi dito, voltaremos com mais notícias ainda este ano. Por agora não temos nada a partilhar; ainda não estamos a partilhar nada”.
Outra questão colocada durante a mesma sessão de perguntas, se a CD Projekt estava satisfeita com o trabalho da Fool’s Theory no projeto não anunciado, recebeu uma resposta apenas ligeiramente menos esquiva: “Sim, estamos bastante satisfeitos especificamente com a Fool’s Theory”.
Os rumores não são novos. O insider polaco Borys Nieśpielak afirmou ao longo de vários meses que The Witcher 3 iria receber uma terceira expansão surpresa, desenvolvida pela Fool’s Theory, e chegou a apontar os The Game Awards de dezembro de 2025 como possível momento de anúncio. Não aconteceu. Mas o insider manteve a sua posição, afirmando ter “várias confirmações independentes” da existência do projeto.
Em dezembro de 2025, o analista Mateusz Chrzanowski, da corretora polaca Noble Securities, publicou um relatório a prever a expansão com um detalhe invulgar para uma informação não confirmada, lançamento em maio de 2026, orçamento de produção de 52 milhões de zlótis (cerca de 14 milhões de dólares), preço de venda de 30 dólares e vendas projetadas de 11 milhões de cópias. Chrzanowski acrescentou que o lançamento deveria “dar início à campanha de marketing efetiva de The Witcher 4”, que projeta para o quarto trimestre de 2027. Dito de outra forma, a expansão não seria apenas um produto autónomo, mas um prelúdio calculado à próxima grande aposta da empresa.

Narrativamente, a ideia levanta uma questão legítima, Blood and Wine, a segunda e última expansão de The Witcher 3, foi explicitamente posicionada como o epílogo definitivo de Geralt de Rívia. Uma nova expansão dez anos depois complica essa mensagem. A hipótese mais circulada é que o foco recaia sobre Ciri, precisamente a protagonista de The Witcher 4, possivelmente numa história ambientada numa nova região, com rumores a apontar para uma extensão de Velen. Isso resolveria a tensão narrativa e funcionaria como ponte para o jogo seguinte.
Quando questionada nas redes sociais sobre planos de DLC, a CD Projekt respondeu que não tem “planos para DLC ou expansões adicionais”, para Cyberpunk 2077. The Witcher 3 não foi mencionado. A omissão, deliberada ou não, alimentou ainda mais a especulação.
O que é factual, a CD Projekt vai publicar algo não anunciado em 2026. A Fool’s Theory está a trabalhar num projeto desconhecido com mais de 100 pessoas. A empresa recusou comentar especificamente o que é. E os resultados financeiros de 2025, o segundo melhor ano da história da empresa, indicam que precisa de manter a receita a fluir enquanto The Witcher 4 e Cyberpunk 2 continuam em desenvolvimento.









