
Quem ainda não comprou uma consola desta geração vai ter de se preparar para pagar mais. A Xbox Series X sobe de preço a 1 de agosto de 2026, e há indicadores sérios de que a PlaYStation 5 não vai manter o preço atual por muito tempo. Por detrás disto está uma crise de componentes que, segundo os analistas, não vai resolver-se tão cedo.
O que já aconteceu e o que está confirmado
A Microsoft anunciou oficialmente, a 25 de junho, que os preços da Xbox Series X e Xbox Series S sobem a partir de 1 de agosto. O modelo Series X de 1 TB passará de $649,99 para $799,99, ou seja, $300 acima do preço de lançamento em 2020, que era $499,99. A versão Series S de 512 GB sobe $100, passando para os $499,99. O modelo de 2 TB foi descontinuado.
No comunicado oficial publicado no Xbox Wire, a Microsoft foi direta quanto à causa: “Infelizmente, os preços de armazenamento e memória para consolas aumentaram mais de 2,5 vezes e esperamos que dupliquem novamente até ao outono de 2027. Toda a indústria de eletrónica de consumo está a lutar com a atual crise de componentes, mas os efeitos são particularmente duros nas consolas”.
Este já não é o primeiro aumento desta geração. Em outubro passado, a Microsoft tinha já subido os preços entre $20 e $70 nos EUA. A Sony, por sua vez, anunciou subidas em março de 2026, em vigor desde abril, que colocaram a PS5 padrão nos 649,99 euros e a PS5 Pro nos 899,99 euros, com a empresa a citar “pressões contínuas no panorama económico global.”

O que dizem os analistas sobre o futuro próximo
A situação não promete melhorar nos próximos meses. A Jefferies Equity Research publicou um relatório com previsões preocupantes, espera-se uma subida de 40 a 50% no preço da memória no terceiro trimestre de 2026 face ao trimestre atual, seguida de mais 30 a 40% no quarto trimestre. Em 2027, a previsão é de um aumento adicional de 40 a 45% em termos anuais. A estabilização dos preços só é esperada para 2028, e mesmo assim sem regresso aos níveis anteriores à procura massiva gerada pela inteligência artificial.
Parte do problema reside no facto de cerca de 50% da capacidade total de produção de memória estar já comprometida em contratos de longo prazo com grandes fornecedores de serviços cloud, uma percentagem que pode ainda chegar aos 70%. Isso deixa a eletrónica de consumo, onde se incluem as consolas, com muito menos oferta disponível e, consequentemente, a pagar preços mais altos.
Outra firma de análise, a Aletheia Capital, tem previsões menos dramáticas, subidas de 30% no terceiro trimestre e até 15% no quarto, mas ainda assim preocupantes para os consumidores. O cenário mais otimista não é assim tão otimista.
Os preços de memória para consumidor já subiram 89% no segundo trimestre de 2026 face ao trimestre anterior, um número que confirma que a crise já está a fazer-se sentir com força.

O impacto direto nas consolas
Para a Sony e a Microsoft, absorver estes custos seria financeiramente insustentável. As consolas raramente são vendidas com lucro, o modelo de negócio assenta na venda de jogos, subscrições e serviços. Vender cada unidade com prejuízo de $100 pode parecer gerível à escala individual, mas multiplicar isso por milhões de consolas e o número torna-se rapidamente proibitivo.
Há ainda o cenário da próxima geração a complicar as contas. Segundo relatos anteriores, o custo de fabrico da PS6 aumentou $200 só nos últimos meses devido às subidas de RAM e armazenamento, o que aponta para um preço de lançamento na casa dos 1000 euros.
A Microsoft anunciou ao mesmo tempo um programa de financiamento sem juros e opções de pagamento em parcelas para tentar mitigar o impacto nos consumidores, mas isso não muda os valores em jogo. Se as previsões da Jefferies se confirmarem, novos aumentos são esperados antes da época de Natal de 2026, e possivelmente nova ronda no primeiro semestre de 2027, tanto para Xbox como para PS5, e a Nintendo com a sua Nintendo Switch 2 também deverá aumentar preços.









