
Os resultados trimestrais mais recentes da Microsoft voltaram a confirmar aquilo que já se suspeitava há meses, a Xbox está a atravessar um dos períodos mais difíceis da sua história, precisamente numa altura em que o resto da empresa nunca esteve tão bem financeiramente, impulsionada sobretudo pela inteligência artificial.
Xbox regista a quarta queda trimestral consecutiva
Segundo o relatório oficial divulgado a 29 de julho, referente ao quarto trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado a 30 de junho), a receita de conteúdos e serviços da Xbox caiu 10% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita de hardware recuou 13%. No total, a receita da Xbox nesse trimestre ficou nos 4,98 mil milhões de dólares, contra os 5,53 mil milhões registados um ano antes, marcando já a quarta quebra trimestral consecutiva do negócio de gaming da Microsoft.
Olhando para o ano fiscal completo, o cenário não é muito diferente, a receita total da Xbox caiu cerca de 7%, o equivalente a uma quebra de 1,7 mil milhões de dólares. A própria Microsoft reconhece, no seu relatório financeiro, que esta descida se deve a quebras simultâneas tanto nos conteúdos e serviços como no hardware da consola.
Esta quebra de receitas surge poucas semanas depois de a Xbox ter anunciado um dos maiores cortes de pessoal da sua história. A CEO da divisão, Asha Sharma, confirmou num memorando interno o despedimento de cerca de 3.200 pessoas ao longo do ano fiscal de 2027, além da saída de quatro estúdios da alçada da Xbox para se tornarem independentes, entre eles a Double Fine.
Na altura, Sharma não poupou nas palavras para descrever a situação do negócio. “O nosso negócio atualmente não é saudável”, escreveu, acrescentando que a divisão se tinha “espalhado demasiado” pelos últimos anos. Segundo a executiva, a Xbox opera com margens de lucro entre três a dez vezes inferiores às de negócios comparáveis no setor, depois de anos de investimento pesado em subscrições como o Game Pass, lançamentos multiplataforma e aquisições de estúdios.
Sharma assumiu o comando da Xbox em fevereiro deste ano, depois da saída de Phil Spencer, que geriu a divisão durante 12 anos ao longo de um total de 38 anos ligado à Microsoft, e da subsequente saída de Sarah Bond, que durante muito tempo foi apontada como a sucessora natural de Spencer. Antes de assumir a liderança da Xbox, Sharma liderava a área de inteligência artificial da Microsoft, um percurso que tem alimentado receios entre parte da comunidade de que o foco da empresa possa começar a deslocar-se ainda mais para essa área, em detrimento dos jogos e do hardware tradicional.
O resto da Microsoft nunca esteve tão bem
O contraste com o desempenho geral da Microsoft não podia ser maior. De acordo com o comunicado oficial de resultados divulgado pela empresa, a receita total do quarto trimestre foi de 90 mil milhões de dólares, um crescimento de 18% face ao ano anterior, impulsionado sobretudo pela Microsoft Cloud, que atingiu 59,3 mil milhões de dólares em receita, mais 27% do que no mesmo trimestre do ano passado. Olhando para o ano fiscal completo, a receita total da Microsoft ficou nos 331,8 mil milhões de dólares, também um crescimento de 18%, enquanto o lucro líquido subiu 31%, para 133,7 mil milhões de dólares.
O relatório destaca ainda um ganho pontual de 3,2 mil milhões de dólares resultante do investimento da Microsoft na Anthropic, criadora do Claude AI, além de despesas “mais baixas do que o esperado relacionadas com o Programa de Reforma Voluntária, parcialmente compensadas por despesas de indemnização e imparidades na Xbox”, conforme referido no comunicado da empresa.
Do lado dos executivos, o discurso continua centrado quase inteiramente na inteligência artificial. O CEO Satya Nadella destacou que a Azure ultrapassou, pela primeira vez, os 100 mil milhões de dólares em receita anual, e que o Microsoft 365 Copilot já conta com mais de 30 milhões de assinaturas pagas, sinais que a empresa aponta como prova da confiança dos clientes na sua transformação ligada à IA.








