InícioAnime12 animes sem final que os fãs nunca conseguiram esquecer

12 animes sem final que os fãs nunca conseguiram esquecer

Produzir um anime é um processo caro e arriscado, que depende de um alinhamento quase perfeito entre vendas de mangá, números de streaming e a persistência dos fãs ao longo dos anos. Ao contrário do que acontece com séries ocidentais, os estúdios japoneses raramente retomam produções que perderam o embalo inicial. Quando isso acontece, é quase sempre motivo de festa dentro da comunidade, porque a regra costuma ser precisamente o oposto: uma vez interrompida, a história fica suspensa indefinidamente.

12
Hyouka

Hyouka

Produzida pelo estúdio Kyoto Animation e dirigida por Yasuhiro Takemoto, Hyouka adapta as novels Classic Literature Club, de Honobu Yonezawa, e acompanha Oreki Houtarou, um estudante que vive segundo a máxima de poupar energia sempre que possível. A série estreou em abril de 2012, com 22 episódios, e adaptou apenas quatro das seis novels já publicadas na altura, deixando de fora praticamente metade do material original.

Apesar da boa receção crítica e de um grupo de fãs que continua ativo mais de uma década depois, nunca chegou a ser confirmada qualquer continuação. O próprio Honobu Yonezawa já veio a público esclarecer que a decisão não depende de si, remetendo a responsabilidade para a editora e para o estúdio. A situação complicou-se ainda mais depois do incêndio na Kyoto Animation em 2019, que vitimou vários elementos da equipa original, incluindo o diretor Yasuhiro Takemoto.

Ainda assim, o interesse dos fãs não esmoreceu. Uma segunda temporada, ou mesmo um filme que fechasse o arco das novels restantes, permitiria finalmente dar um desfecho à relação entre Oreki e Chitanda, um dos aspetos mais discutidos sempre.

11
Gantz

Gantz anime visual

Gantz atira os seus personagens para um cenário particularmente brutal, onde a morte deixa de ser um ponto final e passa a ser apenas o início de uma nova forma de sobrevivência. A premissa, tão provocadora quanto violenta, ajudou a transformar o mangá de Hiroya Oku num dos títulos mais discutidos do género seinen no início dos anos 2000.

O anime, com duas temporadas emitidas em 2004, terminou muito antes do mangá e seguiu um caminho próprio, bastante diferente do material original. Essa divergência é hoje um dos principais motivos pelos quais a comunidade continua a pedir uma nova adaptação, desta vez fiel ao desenvolvimento completo da história.

Com o sucesso recente de séries mais sombrias e adultas, como Attack on Titan ou Parasyte, o apetite do público por este tipo de narrativa nunca esteve tão elevado. Num momento em que a indústria tem revisitado franquias antigas com regularidade, Gantz continua a ser um dos nomes mais óbvios quando se fala em regressos há muito adiados.

10
Btooom!

Btooom! vai ter anúncio importante

Btooom! segue Ryouta Sakamoto, um jovem desempregado com um talento fora do comum para o jogo online que dá nome à série, onde os jogadores usam bombas para eliminar adversários. Um dia, acorda numa ilha remota e percebe que foi obrigado a participar numa versão real do jogo, só pode escapar se matar sete outros participantes e recolher os respetivos chips, prova das suas mortes.

O anime adaptou apenas uma fração do mangá e terminou ao fim de 12 episódios, exatamente no momento em que a história sobre os responsáveis pelo jogo, e sobre o impacto psicológico que este provoca nos jogadores, estava apenas a começar a ser explorada. Ficou, por isso, uma sensação de história incompleta que acompanhou os fãs durante anos.

O mangá, concluído em 2018, tem um final fechado e satisfatório, o que significa que existe material mais do que suficiente para justificar uma continuação em animação. Não faltam pedidos nesse sentido, especialmente entre quem descobriu a obra através do anime e nunca chegou a saber como a história termina de facto.

9
Hunter x Hunter

Hunter x Hunter vol 1 cover (1)

Baseado no mangá de Yoshihiro Togashi, Hunter x Hunter segue Gon Freecss, um rapaz determinado que descobre que o pai ausente, Ging, é um lendário Hunter, um explorador licenciado para as fronteiras mais perigosas do mundo. O que começa como uma simples procura pelo pai transforma-se rapidamente em algo muito mais ambicioso e complexo.

A adaptação de 2011, pelo estúdio Madhouse, parou em 2014 depois de acompanhar fielmente tudo o que Togashi tinha publicado até então. Não se tratou de um cancelamento por falta de sucesso, muito pelo contrário, a série é regularmente apontada como uma das melhores adaptações de shonen da década.

A razão da paragem está antes ligada aos problemas de saúde crónicos do autor, que há anos condicionam o ritmo de publicação do mangá, com hiatos frequentes e imprevisíveis. O resultado é uma obra suspensa entre o brilhantismo criativo e o desgaste físico do seu criador, deixando tanto o mangá como o anime num limbo que já dura mais de uma década.

8
Highschool of the Dead

Highschool of the Dead vol 1 cover HD

Estreada em 2010, Highschool of the Dead transformou o apocalipse zombie numa história de sobrevivência visceral e muito estilizada. A série segue um grupo de estudantes e a enfermeira da escola numa luta constante contra hordas de mortos-vivos e, ao mesmo tempo, contra o colapso da própria ordem social à sua volta.

A produção não foi cancelada por falta de popularidade. O mangá entrou em hiato em 2011 devido a problemas de saúde do autor, Daisuke Satō, que viria a falecer em março de 2017, aos 52 anos, deixando a obra definitivamente por concluir. O anime, que cobriu apenas os primeiros volumes, ficou parado exatamente no momento em que a tensão narrativa começava a escalar.

Sem o criador original, é hoje praticamente impossível imaginar um desfecho oficial fiel à visão de Satō. Ainda assim, a série continua a ser lembrada com frequência em listas de animes inacabados, prova de que o interesse dos fãs nunca desapareceu, apesar de tudo.

7
Deadman Wonderland

Deadman Wonderland vol 13 cover

Estreada em 2011, Deadman Wonderland junta horror distópico com tragédia psicológica de uma forma pouco comum para a época. A história segue Ganta Igarashi, um estudante cuja vida é destruída depois de toda a sua turma ser chacinada, sendo ele próprio acusado do crime que não cometeu.

Condenado à morte, Ganta é enviado para Deadman Wonderland, uma prisão privada onde os reclusos são forçados a participar em jogos mortais para entretenimento do público. Apesar de um arranque forte e de algum interesse inicial dos fãs, uma narrativa irregular e vendas modestas acabaram por impedir qualquer continuação.

Pior ainda, o mangá avançou muito para lá do ponto onde o anime parou, introduzindo novas facções, arcos mais profundos para personagens como Shiro e, finalmente, um final que a série nunca chegou a mostrar em animação. Esse contraste entre um mangá completo e um anime pela metade é um dos principais argumentos usados por quem pede uma nova adaptação.

6
No Game No Life

No Game No Life manga vol2.1 cover (1)

Quando a lógica se torna a única arma que importa, até os deuses podem perder. É essa a essência de No Game No Life, adaptado das light novels de Yuu Kamiya e estreado em 2014 com grande sucesso junto do público. A série acompanha Sora e Shiro, uma dupla de meios-irmãos conhecida online como a imbatível equipa Blank.

Depois de derrotarem um misterioso adversário, os dois são transportados para um mundo paralelo, Disboard, onde todos os conflitos são resolvidos através de jogos regidos por regras absolutas, em vez de violência. A ideia, tão original quanto viciante, ajudou a construir uma base de fãs entusiasta praticamente desde a primeira semana de emissão.

No Game No Life nunca foi oficialmente cancelado, ficou apenas suspenso indefinidamente. O filme No Game No Life: Zero, lançado em 2017, reacendeu a esperança dos fãs ao mostrar que a franquia ainda tinha magia para dar, mas desde então o silêncio por parte do estúdio tem sido a norma.

5
Claymore

Claymore vol 24 cover

A adaptação de 2007, pelo estúdio Madhouse, segue de perto o mangá de Norihiro Yagi durante grande parte da sua duração, chegando a ser fiel até cerca do episódio 23. A partir daí, a produção ultrapassou o material disponível na altura e optou por construir um final original para fechar a temporada dentro do calendário previsto.

O problema é que esse desfecho contradiz de forma direta os acontecimentos que o mangá viria a desenvolver nos anos seguintes, tornando praticamente impossível qualquer continuação direta a partir de onde o anime parou. Personagens que no mangá passam anos em exílio, a reconstruir forças, acabam reunidos de forma precipitada na versão animada, alterando todo o rumo da narrativa.

O mangá, esse sim, teve um final completo em 2014, sete anos depois do anime. Essa diferença deixa Claymore como um dos casos mais claros de séries que precisariam de um reboot completo, à semelhança do que aconteceu com Fullmetal Alchemist: Brotherhood, para finalmente fazer justiça à história imaginada por Yagi.

4
D.Gray-man

D.Gray-man anime visual

A primeira adaptação de D.Gray-man, com mais de cem episódios emitidos entre 2006 e 2008, terminou de forma abrupta devido aos sucessivos hiatos do mangá, motivados por problemas de saúde da autora, Katsura Hoshino. Esses hiatos, alguns deles bastante longos, deixaram o anime literalmente sem material novo para adaptar.

Uma sequela, D.Gray-man Hallow, chegou em 2016, mas com apenas 13 episódios, o suficiente para avançar rapidamente por alguns capítulos sem nunca aproximar a série de um verdadeiro desfecho. A própria autora chegou a manifestar reservas sobre o ritmo acelerado com que a nova temporada tratou o material mais recente do mangá.

Com a obra original ainda em publicação, ainda que de forma irregular, os fãs continuam a pedir uma nova temporada que finalmente acompanhe o ritmo da história sem sacrificar a qualidade da adaptação, algo que nenhuma das duas tentativas anteriores conseguiu por completo.

3
Soul Eater

Soul Eater

Com 51 episódios emitidos entre 2008 e 2009 pelo estúdio Bones, Soul Eater acompanhava Maka Albarn e o seu parceiro-arma na Death Weapon Meister Academy, numa mistura pouco habitual de comédia, ação e fantasia sombria que rapidamente conquistou popularidade fora do Japão.

A partir de determinado ponto, por volta do episódio 38, a produção afastou-se do mangá e construiu um final próprio, bastante diferente do que Atsushi Ohkubo viria a escrever mais tarde na obra original. Essa decisão dividiu opiniões na altura e continua a ser um dos temas mais discutidos entre fãs da série.

O resultado deixou muitos espetadores divididos entre o carinho pela versão animada e a sensação de que a verdadeira conclusão da história nunca chegou a ser mostrada em animação, já que o próprio final do mangá também gerou reações mistas quando foi publicado.

2
Beelzebub

Beelzebub anime visual

Com 60 episódios emitidos entre 2011 e 2012 pelo estúdio Pierrot, Beelzebub segue Tatsumi Oga, um delinquente do liceu forçado a criar o filho do Rei Demónio, enviado à Terra com a missão de a destruir. A combinação entre comédia disparatada e ação sobrenatural rendeu à série um público fiel praticamente desde o início.

O anime terminou ainda com o mangá em plena publicação, deixando por resolver vários arcos que a obra original viria a desenvolver nos anos seguintes, incluindo desfechos importantes para várias relações entre personagens centrais.

Apesar de já terem passado mais de dez anos desde o último episódio, a série continua a ser recomendada com regularidade em círculos de fãs de shonen, e o pedido por uma continuação que finalmente feche a história em animação nunca desapareceu por completo.

1
Elfen Lied

Lynn Okamoto tentou criar um mangá como Love Hina e acabou por criar Elfen Lied

Elfen Lied estreou em 2004, com apenas 13 episódios produzidos pelo estúdio Arms, e terminou antes de o mangá de Lynn Okamoto estar concluído. A limitação de episódios obrigou a produção a criar um final próprio, particularmente diferente daquele que a obra original apresentaria mais tarde.

A série tornou-se, ainda assim, um clássico de culto do início dos anos 2000, muito por causa da forma como equilibra ternura e violência extrema, algo pouco habitual até então dentro do género. Esse contraste ajudou a construir uma reputação que atravessou gerações de fãs de anime.

Apesar desse estatuto, Elfen Lied nunca recebeu uma segunda temporada que adaptasse o verdadeiro desfecho da história escrita por Okamoto, algo que continua a ser apontado como uma das grandes lacunas por preencher dentro do género seinen.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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