
O nível de secretismo à volta de Grand Theft Auto VI voltou a ser tema de discussão pública, desta vez dentro de uma sala de tribunal. No âmbito do processo que opõe a Rockstar Games ao sindicato britânico Independent Workers’ Union of Great Britain, a empresa descreveu a sua política interna de segurança comparando-a diretamente com a forma como a Apple protege o iPhone ou a Coca-Cola guarda a fórmula do seu refrigerante mais famoso.
O litígio, que está a decorrer num tribunal laboral na Escócia, prende-se com o despedimento de 34 funcionários da Rockstar, 31 deles no Reino Unido e três no Canadá, que o sindicato considera ilegal e associado a atividade sindical. A empresa nega essa ligação e sustenta que os despedimentos resultaram da partilha de informação confidencial sobre o jogo num canal de Discord. É precisamente neste contexto que vieram a público detalhes pouco habituais sobre o funcionamento interno da Rockstar.
De acordo com documentos do processo partilhados no X por videotech, a empresa descreveu o seu nível de proteção da seguinte forma: “guardar os segredos da jogabilidade e do design únicos do jogo é semelhante à Apple a proteger o iPhone, ou à Coca-Cola a proteger a sua fórmula“. Os documentos acrescentam ainda que os funcionários trabalham com sistemas “altamente sensíveis e importantes“, razão pela qual a empresa adotou “a postura de segurança de um banco de Wall Street”, com expectativas de privacidade muito acima da norma na maioria das empresas.
Entre as medidas descritas nos autos contam-se a obrigatoriedade de todos os visitantes aos escritórios assinarem acordos de confidencialidade, o acompanhamento permanente de subcontratados por seguranças, a proibição de fotografias, o bloqueio a dispositivos de armazenamento externos e a impossibilidade de ligar equipamento pessoal aos sistemas internos da empresa. O trabalho remoto também é fortemente restringido. Um antigo diretor técnico da Rockstar terá inclusivamente descrito a cultura da empresa como tendo “uma obsessão quase patológica com a confidencialidade“.
Os documentos vão ainda mais longe ao revelar que a Rockstar teve de colocar películas de privacidade nos vidros dos seus edifícios, depois de serem detetados drones a tentar fotografar o interior dos escritórios através das janelas. Segundo a empresa, os seus sistemas e equipas são alvo de ataques regulares, e os próprios funcionários sofrem assédio online por estarem associados ao desenvolvimento do jogo. Para lidar com esta pressão constante, a Rockstar montou uma equipa a tempo inteiro composta por cinco investigadores e um diretor, dedicada exclusivamente a monitorizar e investigar potenciais fugas de informação.
A empresa admitiu ainda que os seus funcionários são alvo frequente de ataques de phishing e engenharia social, com o objetivo de obter dados internos, uma tática que, segundo os documentos, esteve na origem da grande fuga de informação de GTA 6 em 2022. Nomes de personagens do jogo também já terão sido divulgados desta forma, e a Rockstar faz ainda referência às recentes fugas associadas ao caso Cyberleek. É este historial de incidentes que, segundo a própria empresa, a tornou “hipervigilante” na forma como tenta manter a informação fechada “o mais rigorosamente possível”.
Este não é o único detalhe a emergir das audiências. Outros documentos do mesmo processo, também avançados esta semana, referem que funcionários chegaram a discutir num servidor privado de Discord ligado ao sindicato pormenores de um modo online para GTA 6 com suporte para 32 jogadores em simultâneo, uma conversa que a Rockstar classificou como um dos segredos mais bem guardados da empresa e que um funcionário terá considerado “extraordinariamente alarmante”. As audiências deste processo estão previstas para se prolongar até 16 de outubro, cerca de um mês antes do lançamento previsto de GTA 6.









