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The Elder Scrolls 6 pode atrasar-se ainda mais após os despedimentos na Xbox

Despedimentos na Xbox ameaçam o desenvolvimento de The Elder Scrolls 6, dizem funcionários da Bethesda

The Elder Scrolls Online PSN visual

A Bethesda Game Studios está a viver uma das semanas mais duras da sua história recente, e o impacto pode chegar diretamente a The Elder Scrolls 6, o projeto mais aguardado do estúdio. Depois de uma nova vaga de despedimentos ter atingido praticamente todas as divisões da Xbox, vários funcionários da Bethesda decidiram falar, ainda que sob anonimato, sobre os receios que têm em relação ao futuro do jogo.

O corte de pessoal na Bethesda insere-se numa reestruturação muito mais ampla anunciada pela nova CEO da Xbox, Asha Sharma, que descreveu a operação como a maior reformulação da história da divisão. O plano prevê a eliminação de cerca de 3.200 postos de trabalho ao longo do ano fiscal de 2027, sendo que 1.600 já se tornaram efetivos de imediato. Numa mensagem interna citada pela mesma publicação, Sharma não poupou nas palavras: “O nosso negócio, hoje, não é saudável”.

Dezenas de saídas em pleno desenvolvimento de The Elder Scrolls 6

De acordo com a IGN a Bethesda Game Studios perdeu mais de 50 colaboradores nesta ronda de cortes, muitos deles ligados diretamente à equipa de The Elder Scrolls 6. Não se tratou de cortes em cargos redundantes ou administrativos, entre os despedidos estão programadores, artistas e designers descritos como “pessoal-chave e de elevado desempenho, na linha da frente” do desenvolvimento.

Um dos funcionários resumiu bem o ambiente que se vive atualmente no estúdio:

“Temos estado todos muito entusiasmados e otimistas com o TES 6, e isto teve um efeito devastador na moral. Já estávamos com um calendário apertado e agora estamos preocupados que isto atrase o jogo”.

Outro colaborador foi mais longe, apontando diretamente para o que considera ser a maior ameaça ao projeto:

“Há um receio de que sejamos substituídos por mão de obra contratada mais barata, ou que se contrate gente para os substituir e que vai precisar de formação. As nossas ferramentas são proprietárias, outros programadores não vão saber como funcionam, o que vai resultar em mais atrasos, e vamos ter de fazer crunch para recuperar o tempo perdido”.

Este receio não é meramente teórico. O departamento de controlo de qualidade da Bethesda já está a servir de exemplo do que pode vir a acontecer, parte do trabalho que antes era feito internamente foi entregue à empresa de outsourcing Keywords.

Um problema que se estende a todo o ecossistema Xbox

A ideia de reforçar equipas externas para compensar a perda de talento também levanta dúvidas fora da Bethesda Game Studios propriamente dita. Um dos funcionários referiu ter ouvido que a ZeniMax Online Studios, responsável por The Elder Scrolls Online, poderia enviar pessoal para colmatar falhas na equipa de TES 6. O problema é que a própria ZeniMax Online não escapou aos cortes, tendo perdido mais de 200 funcionários na mesma vaga de despedimentos.

O cenário repete-se noutros estúdios sob a alçada da Xbox. A id Software, responsável pela franquia Doom, terá perdido a maior parte da sua equipa de programação, e a Obsidian Entertainment, entretanto direcionada para o desenvolvimento de um novo jogo de Fallout, ficou também com cerca de um quarto do seu pessoal reduzido.

The Elder Scrolls 6 já vinha a acumular anos de espera, num desenvolvimento sucessivamente adiado pelo trabalho da Bethesda em Starfield e, mais recentemente, em Fallout 5, que ao ritmo atual dificilmente chegará às mãos dos jogadores antes de uma década. É precisamente para inverter esta lentidão que a Xbox liderada por Asha Sharma diz querer acelerar o desenvolvimento das franquias mais importantes do portefólio, entre as quais se incluem The Elder Scrolls e Fallout. A ironia é que, para já, é precisamente esse objetivo que os próprios funcionários da Bethesda dizem estar em risco. Por agora, nem a Bethesda nem a Xbox comentaram publicamente as declarações.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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