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Ubisoft perdeu mais de 1.200 trabalhadores num ano e os cortes ainda não acabaram

Ubisoft confirma 1.200 despedimentos e avança com terceira fase de cortes até 2028

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A Ubisoft encerrou o ano fiscal de 2025-26 com menos 1.200 pessoas do que tinha há um ano. Os números constam do relatório de resultados publicado esta semana pela empresa, que confirma um quadro atual de 16.590 funcionários em todo o mundo, o mais baixo em vários anos, e admite que os cortes vão continuar.

Segundo o relatório de resultados completos do ano fiscal 2025-26, a empresa acrescenta que a saída voluntária de trabalhadores está “próxima dos níveis mais baixos de sempre na Ubisoft, particularmente entre os perfis seniores”. Isto significa que as saídas foram maioritariamente forçadas por reestruturações, e não por decisão dos próprios funcionários.

O ano fiscal que terminou a 31 de março de 2026 foi marcado por uma série de decisões que alteraram profundamente a estrutura da empresa francesa. Em janeiro, a Ubisoft anunciou o que descreveu como uma transformação organizacional de fundo, cancelando seis jogos, encerrando estúdios e implementando uma política obrigatória de regresso ao escritório cinco dias por semana, medida que gerou uma greve internacional com mais de 1.200 trabalhadores mobilizados em França e Itália.

A lista de baixas em termos de projetos é extensa. O estúdio Red Storm Entertainment, conhecido pelos jogos Tom Clancy das décadas de 1990 e 2000, encerrou o desenvolvimento de jogos em março. O Alterra, um jogo de simulação social com estética voxel e mecânicas inspiradas em Animal Crossing e Minecraft, que estava em desenvolvimento há quase três anos na Ubisoft Montreal, foi cancelado em abril. Houve ainda mudanças na direção criativa de Assassin’s Creed Hexe que culminaram na saída do seu diretor de jogo.

Desde o ano fiscal de 2022-23, a Ubisoft já reduziu a sua base de custos fixos em cerca de 325 milhões de euros, uma descida de aproximadamente 18%. No entanto, o trabalho está longe de estar concluído. No mesmo relatório, a empresa detalha os objetivos da terceira e última fase do programa de redução de custos, conforme o documento oficial:

“A Ubisoft tem um caminho claro para concluir a terceira e última fase do seu programa de redução de custos, visando uma base de custos fixos de 1,25 mil milhões de euros em termos de taxa de execução até março de 2028, apoiada pela continuação da disciplina no recrutamento e reestruturações direcionadas. [A Ubisoft] também continua a considerar potenciais alienações de ativos”.

Ou seja, a empresa não descarta vender partes do seu portfólio, uma possibilidade que, combinada com mais reestruturações previstas para o próximo ano fiscal, mantém a incerteza sobre o emprego de muitos dos seus 16.590 trabalhadores restantes.

Para ter uma noção da escala da transformação, o número de funcionários da Ubisoft atingiu o pico de 20.665 em março de 2022. Em quatro anos, a empresa perdeu mais de 4mil postos de trabalho.

O relatório não especifica quantos dos 1.200 lugares eliminados resultaram de despedimentos diretos versus não renovação de contratos ou saídas por acordo. Também não há qualquer indicação sobre quais os departamentos ou geografias mais afetados pelo próximo ciclo de cortes.

O que é certo é que o CEO Yves Guillemot descreveu o ano fiscal de 2025-26 como um “ano de ação decisiva” e “uma das transformações mais ambiciosas da história da empresa”. O próximo ano promete ser igualmente agitado.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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