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Cofundador da Guerrilla Games quer criar rival europeu do Unreal Engine

The Immense Engine: o motor gráfico europeu com IA integrada que quer rivalizar com o Unreal Engine

Hell Mode screenshot PC computer gaming

A indústria de videojogos assenta, em grande medida, sobre infraestrutura tecnológica americana. O Unreal Engine, da Epic Games, e o Unity dominam o mercado global de motores gráficos, e não existe atualmente nenhuma alternativa construída e alojada inteiramente na Europa. É precisamente esse vazio que Arjan Brussee quer preencher.

Brussee é um nome com peso real neste setor. Nos anos 90 programou os jogos Jazz Jackrabbit na Epic, antes de co-fundar a Guerrilla Games em 2003, o estúdio neerlandês que mais tarde criaria Killzone e a série Horizon. Depois de uma passagem pela Boss Key, a produtora de Cliff Bleszinski entretanto encerrada, regressou à Epic para uma estadia de oito anos em funções que incluíram o cargo de diretor global de gestão de produto do Unreal Engine. De volta aos Países Baixos, está agora a trabalhar numa startup com um objetivo ambicioso, construir um novo motor gráfico chamado The Immense Engine.

A lógica por detrás do projeto

Em entrevista ao podcast neerlandês De Technoloog, Brussee foi direto quanto ao problema que quer resolver: “Ninguém está atualmente a criar um motor que seja totalmente alojado na Europa, construído por europeus, e que cumpra as regras e diretrizes europeias”.

A questão não é apenas simbólica. Segundo Brussee, a natureza europeia do projeto abriria portas a casos de utilização fora dos videojogos, nomeadamente simulações 3D para a defesa ou a logística, sectores onde a dependência de tecnologia americana ou chinesa pode ser um problema estratégico. Brussee sublinha que “a criação de mundos 3D utilizáveis está a tornar-se cada vez mais importante, certamente para fins que vão além dos jogos”.

Uma aposta na IA como princípio de construção

O que distingue a visão de Brussee de uma simples alternativa regional é a forma como pensa integrar inteligência artificial desde o início. Na sua perspetiva, os motores atuais como o Unreal foram “feitos por e para pessoas que têm de clicar num menu com um rato. Se quisermos mudar alguma coisa, tem de ser feito para o motor inteiro”, uma arquitetura pensada para fluxos de trabalho manuais que, segundo ele, já não faz sentido nos tempos que correm.

“A ascensão da IA significa que precisamos de abordar o desenvolvimento deste tipo de software crucial de forma diferente”, afirmou. “Como um veterano com uma visão de como as coisas devem funcionar, vejo aqui oportunidades”.

A ideia concreta passa por usar agentes de IA como módulos integrados no motor, com a possibilidade de integrar novos modelos à medida que surjam, de modo a que uma equipa pequena consiga produzir trabalho à escala de uma muito maior. “Se fores inteligente e souberes como pôr uma boa estrutura de agentes de IA a trabalhar, podes fazer o trabalho de dez ou quinze pessoas”, disse Brussee.

Agentes como ChatGPT ou Claude estão previstos como módulos dentro do software, com a arquitetura pensada para facilitar a integração de qualquer modelo que surja no futuro.

Um projeto ainda sem data

O The Immense Engine não tem ainda uma data de lançamento anunciada. Brussee reconhece que muitos dos agentes de IA disponíveis vêm atualmente de empresas americanas como OpenAI, Anthropic ou Google, embora existam alternativas europeias como a Mistral que poderão ser utilizadas. A startup está a ser construída de raiz e a ambição declarada é grande, mas a concretização prática e o calendário real continuam por definir.

O contexto em que o projeto nasce não é alheio ao momento político e económico atual na Europa, onde a soberania tecnológica tem ganho cada vez mais espaço no debate público e nas agendas governamentais. Para um veterano que passou décadas a construir por dentro as ferramentas que agora quer rivalizar, a oportunidade parece clara, mesmo que o caminho ainda esteja no início.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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