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A Netflix está a montar um estúdio interno de animação inteiramente construído em torno de ferramentas de inteligência artificial generativa. O projeto chama-se INKubator, também referido internamente como INK, e não foi apresentado através de qualquer comunicado oficial. A sua existência tornou-se pública através de uma série de anúncios de emprego publicados nas últimas semanas, primeiro detetados e relatados pelo The Verge.
O INKubator terá arrancado silenciosamente em março de 2026 e é liderado por Serrena Iyer, com um currículo que passa pela DreamWorks Animation, MRC Studios e A24 Films, nomes que dificilmente surgem associados a um projeto experimental sem substância por trás.
Os anúncios publicados pela Netflix para o INKubator dão uma imagem bastante concreta do que a empresa está a construir. Numa das listagens, o estúdio é descrito como “o nosso estúdio de animação de próxima geração, liderado pela criatividade e nativo de IA generativa”. Os perfis em recrutamento incluem artistas de CGI, diretores técnicos e um responsável de tecnologia, este último ainda por preencher, o que sugere que o projeto está numa fase de construção ativa.
Os anúncios para artistas de CGI descrevem um ambiente de produção acelerado, assente em ferramentas como ComfyUI para gerar frames conceptuais, explorar personagens e desenvolver ambientes a partir de guiões e indicações verbais. O objetivo declarado é produzir curtas e especiais de animação com qualidade de longa-metragem, mas dentro de um pipeline radicalmente diferente do que a indústria conhece.
Um detalhe relevante, um dos anúncios menciona explicitamente a intenção de “expandir curtas para conteúdo de formato mais longo”, o que indica que as curtas de animação são apenas o ponto de partida.
O INKubator não é o primeiro sinal da direção que a Netflix está a tomar em relação à IA. Em março deste ano, a plataforma adquiriu a InterPositive, uma startup de ferramentas de IA para cinema cofundada pelo ator e realizador Ben Affleck. De acordo, o valor potencial do negócio pode chegar aos 600 milhões de dólares, dependendo do cumprimento de determinados objetivos de desempenho, o que o coloca entre as maiores aquisições da história da empresa. A InterPositive desenvolve ferramentas de IA aplicadas à pós-produção, incluindo correção de cor, ajuste de iluminação e continuidade de planos.
Antes disso, a Netflix já utilizava IA generativa nas suas publicidades, e confirmou no seu relatório trimestral de 2026 que está continuamente a expandir o uso da tecnologia para melhorar a experiência dos seus utilizadores.
Onde é que este conteúdo pode aparecer
A questão natural é, onde vai parar este conteúdo de animação gerada por IA? Uma hipótese evidente é o feed de vídeo vertical que a Netflix lançou recentemente na sua aplicação móvel, uma funcionalidade semelhante ao formato do TikTok chamada Clips, atualmente usada para trailers e conteúdo promocional. Curtas de animação de formato curto encaixariam naturalmente nesse espaço.
Outra frente possível é a área de conteúdos para crianças, a Netflix tem apostado em posicionar-se como alternativa ao YouTube para famílias, e chegou mesmo a lançar uma aplicação separada chamada Netflix Playground. A IA generativa poderia permitir escalar esse tipo de produção a um ritmo impossível com processos tradicionais.
A notícia chegou no mesmo dia em que a Netflix revelou que o seu tier com publicidade atingiu 250 milhões de subscritores a nível mundial, um crescimento de 31% em seis meses, um contexto que torna ainda mais compreensível o interesse em encontrar formas de produzir conteúdo de forma mais rápida e económica.








