Ninguém esperava que fosse um torneio de futebol com carros a marcar a chegada do próximo grande motor gráfico da indústria. Mas foi precisamente isso que aconteceu hoje, durante as meias-finais do RLCS 2026 Paris Major, a Psyonix e a Epic Games confirmaram que o Rocket League vai passar a correr em Unreal Engine 6, revelando ao mesmo tempo a existência oficial do motor.
Para perceber o peso do anúncio, é preciso ter em conta de onde vem Rocket League. O jogo foi lançado em 2015 e corre desde então em Unreal Engine 3, o mesmo motor que recebeu a sua última actualização também em 2015, antes do jogo ter sequer chegado às prateleiras. Onze anos depois, enquanto o resto da indústria avançou para o Unreal Engine 4 e depois para o Unreal Engine 5, o Rocket League manteve-se ancorado nessa tecnologia mais antiga.
A Psyonix tinha confirmado em 2021 que estava a trabalhar numa migração de motor, mas sem nunca detalhar para qual nem quando. Agora sabe-se, vão saltar diretamente para o Unreal Engine 6.
O que foi mostrado e o que ainda não se sabe
O anúncio foi feito através de um breve teaser durante a transmissão do Paris Major, depois de semanas de alusões por parte de jogadores profissionais e criadores de conteúdo presentes no evento. O clipe mostrou o jogo em funcionamento no novo motor, e o salto visual é próximo do fotorrealismo, revelando detalhes individuais nos fios, iluminação e materiais de um nível claramente diferente do que existe atualmente.
O que ainda não foi revelado é a data de lançamento. Não há qualquer janela temporal confirmada, e tudo indica que a versão em Unreal Engine 6 pode estar ainda a alguma distância. O Unreal Engine 5 demorou cerca de dois anos entre o anúncio e o lançamento, pelo que não será de esperar que o Unreal Engine 6 chegue antes de 2028.
A comunidade de Rocket League recebeu a notícia com entusiasmo, mas também com uma apreensão específica, o que vai acontecer à física do jogo. O comportamento da bola, a forma como reage ao contacto com os carros, a precisão dos movimentos aéreos, tudo isso é o núcleo da identidade do Rocket League, e qualquer alteração nessa área causaria ondas de choque entre os jogadores mais competitivos.
Há, porém, um argumento que atenua essa preocupação, o Rocket League não usa o motor de física nativo do Unreal Engine. Desde 2018, sabe-se que a Psyonix integrou o Bullet Physics Engine, um sistema open source independente do motor gráfico. Em teoria, isso significa que a transição poderá manter a física intacta enquanto actualiza tudo o resto.
Unreal Engine 6
O anúncio do Rocket League acontece num momento em que a Epic Games já tinha começado a falar publicamente sobre o que vem a seguir. Em março de 2026, o CEO Tim Sweeney tinha declarado que a empresa estava a evoluir do Unreal Engine 5 e do Unreal Editor for Fortnite em direcção ao Unreal Engine 6, com planos para a “próxima geração da Epic” ainda este ano. O objectivo declarado do Unreal Engine 6 é unificar as duas linhas de desenvolvimento paralelas que a empresa tem mantido, uma para criadores de jogos, outra para o ecossistema Fortnite, numa única plataforma mais coesa e com melhor suporte a multi-threading, uma das críticas mais frequentes ao Unreal Engine 5.
O Rocket League é assim um dos primeiros jogos confirmados a migrar directamente para o Unreal Engine 6. O Paris Major foi a montra escolhida para o anúncio, o que faz sentido, é um dos eventos mais assistidos do calendário competitivo da modalidade, com uma audiência que há anos esperava por notícias sobre a modernização técnica do jogo.









