A indústria anime está estagnada segundo o diretor de Vinland Saga

No passado dia 28 de outubro, o artista “Atserc” virou tendência nas redes sociais após partilhar um vídeo animado especial a retratar a luta entre Saitama e Blast, o herói número um da Hero Association, da franquia One Punch Man. Os fãs do anime ficaram impressionados com a trabalho de animação feito, principalmente quando o artista apontou que levou três meses para o produzir sozinho.

O facto de o artista ter feito isto sozinho em três meses chegou até aos ouvidos de Shuuhei Yabuta, o diretor da adaptação para série anime do mangá de Makoto Yukimura. O diretor aproveitou a raiva que sentiu ao assistir ao vídeo para lançar uma dura crítica à indústria anime no Japão, aparentemente “preso nas mesmas ideias e técnicas há mais de trinta anos”.

Shuuhei Yabuta afirmou:

Este é o nível de “satisfação” que os fãs exigem (não estou a referir-me ao desenho). O nosso trabalho é criar novas experiências e vivências no produto final e aumentar a satisfação. Estamos a fazer a mesma coisa há 30 ou 40 anos, não porque seja a coisa certa a fazer, mas como o resultado de um modelo de trabalho errado e individualismo. Caso você se assuste, devo acrescentar que não estou a falar apenas de “One Punch Man”, mas da indústria de animação japonesa como um todo.

O conteúdo é que a indústria de animação japonesa não é nada criativa no momento, e que é necessário consciencializar e esforçar-se para criar um ambiente em que novos desafios possam ser assumidos para desenvolver a capacidade de vencer no mercado em geral. A produção de animação é um circo, não uma competição de artistas individuais. Se você não pode compartilhar uma visão e almejar alta qualidade, você deve ir sozinho, sem usar um título.

Estou cansado de velhos que só reclamam e não se mexem, e pirralhos que estão cegos pela sensação de não querer dececioná-los, então quero tentar algumas coisas quando o trabalho atual se estabelecer.

Exclusivo OtakuPT: Entrevista ao diretor de Vinland Saga

Shuhei Yabuta vai ser novamente o diretor de Vinland Saga 2 embora ele tenha mudado de estúdio de animação, ele é agora um funcionário do estúdio MAPPA depois de abandonar o Madbox, um estúdio que trabalha de perto com o Wit Studio (Attack on Titan / The Ancient Magus’ Bride).

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AdmmiD
Admmi
4 , Novembro , 2022 15:57

Tipo assim, não vou discordar q a indústria está um pouco estagnada, mas quais é q são as opções para mudar? O uso do digital já é algo muito comum hoje em dia, por isso inovação das ferramentas não me parece muito possível. O cg, muitos animes já o incorporaram no meio dos seus projetos, alguns melhores q outros mas dá para perceber q a maior parte das vezes é mais usado para poupar doq realmente uma forma de elevar a animação, e desistir da animação tradicional também não me parece uma boa opção visto q o Japão é um dos poucos sítios q a animação tradicional ainda vive realmente. Ele também falou no individualismo e como a pessoal novo não faz frente aos fósseis da indústria, isso é um problema comum em muitos sítios e nada aponta q as coisas realmente vão mudar para o melhor se isso acontecer. Agora se ele estiver a falar da qualidade das obras, aí é o verdadeiro problema, obras q não sejam originais são sempre adaptações de trabalhos minimamente populares, sejam bons ou maus, eles vendem, e em qualquer indústria essa é a parte mais importante. Mas bem espero q ele não esteja só a dizer palavras vazias e q também não faça nada, se ele realmente quer mudança q dê ele o primeiro passo.

RonanfalconD
Ronanfalcon
Reply to  Admmi
30 , Novembro , 2022 16:58

Cara… talvez tu não tenha entendido do que estava falando.

Eu acredito que ele estava a falar da questão que assola essa indústria há anos, que é o modelo de trabalho. Não tem nada a ver com tecnologias, ou técnicas de desenho, ele se referiu ao fato de que, tal modelo (de trabalho), promove certos padrões na forma como as animações são feitas, dentre elas, você mesmo citou, o uso de cgi para “deixar mais barato” seu custo, o que, faz sentido para o mercado, mas não pra estrutura cultural e de longos séculos do Japão (já imaginou se a indústria por lá só fizesse coisas ruins desde sempre? ainda existiria? gostaríamos dela ainda assim? pois então).

Ele não citou isto com palavras diretas, por isso eu tive dificuldade de entender ao que ele se referiu, portanto eu posso estar equivocado também, eu admito. Mas essa questão já é falada há tanto tempo, e em tantos contextos, que eu só consigo cogitar que ele se referiu a isto. Se você analisar o caso específico do vídeo da luta do saitama contra o blast, pelo aartista Atserc, vai notar o seguinte: o cara levou 3 meses pra fazer um vídeo de 1m30s. Perceba, não é questão de qualidade, é questão de duas outras coisas: uma, a liberdade pra animar algo, que corrobora tanto a parte individual que o Shuuhei cita, quanto a própria liberdade em si; e dois, faça as contas de quanto tempo isso levou – é impraticável pra uma indústria que está focada em um sistema que tenta produzir as coisas em massa, onde tanto o tempo, quanto o dinheiro, ficam difíceis manipular.

Eu entendo de Gundam há uns 10 anos. A medida que estudei a franquia, que já está nos seus 40 anos, me deparei com este assunto. Tudo que você ouve sobre “escravismo” pra produzir as séries nos dias de hoje, eu leio em entrevistas sobre Gundam – que isso já era ruim assim desde 1979. Veja, foi aqui que o Shuuhei citou “estamos fazendo isso há 30 ou 40 anos” – claro que eu não falva de Gundam, eu só estou pontuando uma questão de tempo. Esse modelo de trabalho continua uma porcaria depois de tanto tempo, então eu realmente acho que é disso que ele está falando, Quatro décadas é tempo demais pra algo ainda estar instaurado, sendo que vemos claramente seus problemas, que são profundos/pesados.

Voltando a sua pergunta inicial: Como resolver? O que precisa mudar?
Bom, agora que tu pegou outra noção das coisas, acho que percebeu que não há resposta simples. Obviamente, a questão de um bom ambiente de trabalho, já é um resposta, mas o problema é matemática do dinheiro. Não dá pra produzir em massa, com alta qualidade, semanalmente, então você consegue entender o ciclo das coisas se corroer pra baixo, quero dizer, o quanto tu precisa apertar pra que as coisas se encaixem.

Já há bons anos eu penso que se deveria produzir bem menos animes/mangás do que se produz, mas olha só, como reduzir as vendas de algo, sem impactar tanta gente em volta (trabalhadores do setor, até mesmo clientes). Se fosse fácil, não estaríamos debatendo isto ainda.

Bom, repetindo, eu não tenho 100% de certeza de que era disso que o Shuuhei estava falando. Como eu falei, fiquei um pouco na dúvida pela forma como ele se expressou, e o contexto em volta, portanto eu só especulei baseado nisso. Se eu tiver entendido certo, assuma minhas palavras com tranquilidade. Se tu for ler sobre isso, vai achar bastante coisa. Mas se não for, aí paciência, fiz o que pude, hehehe