Uma flor de grandes pétalas cor-de-rosa ou roxas, que cresce sem qualquer cuidado especial e chama a atenção pela sua beleza invulgar, soa a uma boa adição a um jardim. No Japão, pode ser motivo de detenção.
As autoridades da Prefeitura de Saga estão a lidar com uma proliferação de papoilas do ópio em zonas residenciais e áreas de difícil monitorização. A escala da remoção realizada recentemente diz muito, uma equipa de 13 pessoas extraiu aproximadamente 10000 plantas em apenas duas horas, enchendo mais de 40 sacos de lixo, segundo o News On Japan.
A planta pertence à família das papoilas e é matéria-prima para a produção de ópio, um narcótico. Sob a lei japonesa, o seu cultivo sem autorização oficial é estritamente proibido e sujeito a sanções penais, independentemente de a pessoa saber ou não o que está a fazer. É precisamente esse ponto que torna a situação mais delicada, a planta confunde-se facilmente com variedades decorativas legais, e muitos dos casos detetados envolvem pessoas que simplesmente não reconheceram o que tinham no jardim ou na berma da estrada.
Tetsuen Nanami, diretor dos Jardins Botânicos da Universidade Metropolitana de Osaka, explicou que a planta é originária da região mediterrânica e tem uma aparência que naturalmente convida à admiração: “É perfeitamente natural querer cuidar dela porque parece muito bonita. Mas como contém ingredientes narcóticos, é essencial contactar o centro de saúde local ou a polícia para a eliminar corretamente”. Nanami acrescentou que o aroma da planta não oferece qualquer pista sobre a sua natureza: “As pessoas não percebem que é ilegal, e visualmente é bastante bonita”.
O especialista esclareceu também que a presença da flor não representa um risco imediato e direto. “Sem passar por todo esse processo químico, o nível de risco é relativamente baixo”, disse, referindo-se ao complexo processo de extração de morfina a partir da seiva, o mesmo utilizado historicamente em zonas de cultivo intensivo como o Afeganistão durante o período em que o cultivo era permitido pelos Taliban. A questão não é de toxicidade imediata, mas de legalidade e de potencial.
O que está a dificultar o controlo da situação é a capacidade de reprodução da planta. Segundo as autoridades japonesas, as sementes dispersam-se facilmente através do solo, de fertilizantes e até de excrementos de aves, o que permite à planta surgir em locais onde nenhuma atividade humana deliberada está em causa, ao longo de linhas de água, em separadores de estrada, nos cantos de parques de estacionamento ou junto a linhas de caminho de ferro. São precisamente as áreas de menor vigilância.
O fenómeno não é inteiramente novo. Em 2022, as autoridades descobriram cerca de 13 000 plantas na ilha de Awaji, na Prefeitura de Hyogo, numa ocorrência descrita na altura como massiva. A situação atual na Prefeitura de Saga segue um padrão semelhante, embora as autoridades sublinhem que não existe, por enquanto, indicação de que o problema seja generalizado a nível nacional.
A principal dificuldade de identificação está na confusão com variedades legais. Nanami partilhou um critério básico de diferenciação como podem ver no vídeo em cima, ainda que as autoridades recomendem que, em caso de dúvida, o cidadão não tente identificar a planta por conta própria e contacte as autoridades locais ou o serviço de saúde pública.
As autoridades na Prefeitura de Saga estão agora a pedir à população que reporte qualquer avistamento de plantas suspeitas, reforçando que a cooperação do público é essencial para travar a propagação da planta.









