A poucos dias da estreia da segunda temporada de Devil May Cry na Netflix, marcada para 12 de maio de 2026, foi divulgado um videoclipe animado para o novo tema da série: See U in Hell, dos Papa Roach em colaboração com Hanumankind.
A escolha faz sentido. A primeira temporada já tinha apostado nos Papa Roach, com Last Resort a surgir num dos trailers promocionais, uma das músicas mais icónicas do nu-metal dos anos 2000. Desta vez, a banda foi mais longe e gravou um tema original para a série, escrito em conjunto com Alex Seaver dos Mako, Jacoby Shaddix, Hanumankind e Tyler Demorest, com produção executiva de Adi Shankar, o criador da série.
O videoclipe foi produzido com animação original, utilizando imagens da própria temporada, e funciona como uma antevisão do que está para vir, com Dante e Vergil, os irmãos gémeos no centro da narrativa, em confronto direto.
Quem é Hanumankind?
Para quem não conhece o nome, Hanumankind, cujo nome real é Sooraj Cherukat, é um rapper indiano originário de Kerala que se tornou numa sensação global em 2024 com o single Big Dawgs, que chegou ao top 25 da Billboard Hot 100 e acumulou centenas de milhões de streams. Com um estilo que mistura influências do hip-hop do Sul dos Estados Unidos com sonoridades do subcontinente indiano, o artista assinou entretanto com a Def Jam India e a Capitol Records, participou na banda sonora de Squid Game 2 e atuou no Coachella.
A sua colaboração com os Papa Roach não é assim tão surpreendente, ambos partilham uma energia crua e de alta voltagem que encaixa no universo de Devil May Cry.
A banda sonora completa é um catálogo dos anos 2000
A Netflix revelou também a lista completa de músicas desta segunda temporada, e é praticamente uma viagem no tempo. Para além dos Papa Roach e Hanumankind, o alinhamento inclui nomes como Korn, Evanescence, Drowning Pool e Avril Lavigne. Os Evanescence, que já tinham marcado presença na primeira temporada com Afterlife, música que atingiu o número um no Billboard Mainstream Rock Airplay, regressam com My Immortal (Band Version). Há ainda uma versão remisturada de Freak On A Leash dos Korn, trabalhada pelo coletivo Power Glove.
Esta aposta na estética sonora do início dos anos 2000 é uma escolha deliberada de Shankar, que sempre quis capturar o espírito de uma determinada era do entretenimento, aquela em que filmes de ação e videojogos coexistiam com este tipo de rock mais pesado nas prateleiras das lojas.
O que muda na segunda temporada
Segundo Adi Shankar, a segunda temporada vai romper deliberadamente com a fórmula da primeira: “Sou alérgico a fórmulas. Não gosto quando séries de sucesso se transformam em comfort food. Devil May Cry não vai ser televisão que se repete em loop. A minha missão para a segunda temporada foi capturar a sensação de uma franquia cinematográfica dos anos 2000, em que o público não consegue prever o próximo passo”.
A narrativa centra-se no confronto entre Dante e o seu irmão gémeo Vergil, interpretado por Robbie Daymond, numa rivalidade que os fãs dos jogos conhecem bem, embora a série da Netflix não siga o cânone original da Capcom, optando por uma abordagem própria aos eventos e motivações das personagens. Scout Taylor-Compton regressa no papel de Mary, e Johnny Yong Bosch continua como Dante.
Devil May Cry nasceu em 2001, criado por Hideki Kamiya para a Capcom. Ao longo de mais de vinte anos, a série principal cresceu até seis jogos, o mais recente sendo Devil May Cry 5, lançado em 2019, além de múltiplas edições especiais, remasters e a coleção HD. Em 2007, o estúdio Madhouse já tinha adaptado a franquia para anime, numa série de 12 episódios centrada na vida quotidiana de Dante como caçador de demónios.








