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Ghostbusters ganha série animada na Netflix

Netflix e Sony Pictures Animation produzem nova série animada de Ghostbusters para 2027

Ghostbusters (Caça-Fantasmas) - Imagem estúdio Flying Bark

Quase quarenta anos depois de ter co-escrito e protagonizado o filme original, Dan Aykroyd vai voltar à franquia Ghostbusters, não nos cinemas, mas numa série animada produzida pela Netflix e pela Sony Pictures Animation. A confirmação surgiu esta semana através do alinhamento da Netflix para o Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy 2026, onde o projeto vai ter a sua primeira apresentação pública.

Aykroyd integra o projeto como produtor executivo, juntando-se a uma equipa criativa já em formação que inclui Ben Hibon e Elliott Kalan como showrunners, e Jason Reitman e Gil Kenan, os realizadores de Ghostbusters: Afterlife e Ghostbusters: Frozen Empire, também na produção executiva. A série é descrita pela Netflix como “baseada no amado IP de Ghostbusters” e tem estreia marcada em exclusivo na plataforma para 2027. A animação ficará a cargo da Flying Bark Productions, o estúdio australiano conhecido por Rise of the Teenage Mutant Ninja Turtles e pelo recente Stranger Things: Tales from ’85.

Aykroyd tinha dado algumas pistas sobre o projeto anteriormente: “Estamos a fazer um Ghostbusters animado muito interessante”, disse o ator. “Os personagens e toda a abordagem e o aspeto de Manhattan são muito entusiasmantes. Por isso, acho que talvez haja aqui uma oportunidade para esses escritores abordarem alguns dos problemas que precisamos de resolver e seguir em frente com as nossas vidas”.

Numa apresentação privada no festival de Annecy do ano passado, Dominique Bazay, diretora de animação original da Netflix, descreveu a série como “Ghostbusters como nunca o viram”, com arte conceptual inicial a mostrar quatro jovens protagonistas com Proton Packs frente a um horizonte de Manhattan de tom sombrio, uma estética que, segundo relatos, evocou a energia dos filmes Spider-Verse. O tom geral foi definido pela equipa criativa como uma fusão entre horror, comédia, ficção científica e fantasia.

Ghostbusters animação visual antigo

Uma história de sucessos raros e falhanços repetidos

O filme original de 1984, realizado por Ivan Reitman, foi um fenómeno cultural e um sucesso retumbante de bilheteira, tendo encaixado cerca de 296 milhões de dólares em receitas mundiais durante a sua exibição nos cinemas. Mas a tentativa de replicar esse êxito ao longo das décadas seguintes revelou-se uma tarefa impossível. Ghostbusters II teve uma receção morna. O reboot de 2016, com elenco totalmente feminino, tornou-se num caso de estudo sobre fracassos comerciais e polémicas online. E as continuações da linha original, Ghostbusters: Afterlife (2021) e Ghostbusters: Frozen Empire (2024), também não convenceram a crítica, com o segundo a não conseguir recuperar sequer o orçamento de produção de 100 milhões de dólares nas bilheteiras.

No meio de tudo isto, o capítulo que resistiu ao tempo foi The Real Ghostbusters, a série animada que a ABC emitiu entre 1986 e 1991 e que acumulou 140 episódios. A lógica por trás disso não é difícil de perceber, sem a pressão de um orçamento de centenas de milhões de dólares e a necessidade de encher salas de cinema, a animação permitiu explorar o humor absurdista que define a franquia, criar designs de fantasmas inventivos semana após semana e dar espaço aos personagens para respirar. A franquia tem um núcleo conceptual muito específico, trabalhadores por conta própria a navegar numa burocracia sobrenatural, fantasmas tratados como problemas a faturar e conter, vilões aparentemente apocalípticos enfrentados com total desapego, e esse tom é notoriamente difícil de sustentar num blockbuster de grande orçamento, onde a espetacularidade tende a engolir tudo o resto.

A série não é o único projeto animado em desenvolvimento. Existe também um filme de animação em preparação pela Sony Pictures Animation e pela Netflix, embora os detalhes continuem a ser escassos. Em conjunto, os dois projetos representam uma aposta clara no regresso da franquia ao formato onde historicamente teve mais sucesso.

O primeiro vislumbre público da série animada está marcado para o Festival de Annecy, que decorre entre 21 e 27 de junho em França, numa montra que este ano inclui também títulos como Gatto e o projeto de Taika Waititi para a Netflix baseado em Charlie e a Fábrica de Chocolate. Será essa a primeira oportunidade real para perceber para onde a série está a caminhar visualmente e narrativamente, e se finalmente acertam no tom que os filmes nunca conseguiram encontrar.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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