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Fantia pede desculpa depois de criadores se revoltarem contra nova censura

A Fantia anunciou mudanças radicais e a reação foi imediata e furiosa

Fantia aviso censura

A Fantia, plataforma japonesa de subscrição para criadores de conteúdo, frequentemente comparada ao Patreon, emitiu um pedido de desculpa público depois de uma vaga de críticas intensas por parte dos seus utilizadores. No centro da polémica estão novas regras de censura anunciadas a 19 de maio, com entrada em vigor prevista para 25 de maio, que exigem padrões de mosaico significativamente mais rígidos e que se aplicam retroativamente a todo o conteúdo já publicado na plataforma.

O que mudou e porque é que gerou tanta revolta

As novas diretrizes obrigam os criadores a aplicar tratamentos de mosaico ou desfocagem suficientemente densos para que a forma e textura do que está por baixo deixem de ser reconhecíveis. Mosaicos transparentes, desfocagens subtis e barras de censura parciais passam a ser considerados insuficientes. O requisito estende-se também a miniaturas e imagens de capa, e no caso de conteúdo em alta resolução ou vídeos, os criadores são avisados de que mesmo material corretamente processado pode tornar-se visível quando reduzido para ecrãs mais pequenos, o que exige ainda mais cuidado.

O detalhe que gerou mais indignação não foram as regras em si, mas a sua aplicação retroativa. A revisão aplica-se não apenas a novos conteúdos, mas a tudo o que foi publicado desde sempre na plataforma. Criadores com centenas ou mesmo milhares de publicações antigas viram-se de repente perante a tarefa de rever todo esse arquivo num prazo de apenas seis dias. Como a plataforma não disponibiliza nenhuma ferramenta para tornar conteúdo privado em massa, cada publicação teria de ser alterada individualmente.

Os novos requisitos são cerca de 2,5 vezes mais exigentes do que os praticados por plataformas comparáveis como a DLsite ou a Skeb. Quem não cumprir pode receber pedidos de correção, ter conteúdo tornado privado pela própria plataforma, e em casos mais graves ver a conta suspensa ou encerrada, com a possibilidade de a Fantia apresentar queixa às autoridades.

A Fantia justificou as mudanças com pressão legal, a plataforma diz ter recebido “orientações legais estritas” e cita casos recentes de processos judiciais relacionados com censura insuficiente em conteúdo adulto japonês, afirmando que as alterações visam proteger os próprios criadores de riscos legais.

O momento escolhido para o anúncio tornou tudo mais complicado. Dois dias depois de revelar as novas regras de censura, a Fantia anunciou uma expansão significativa do seu sistema de tradução automática, publicações, descrições de planos e resumos de produtos que até agora não eram traduzíveis passariam a traduzir-se automaticamente para inglês, chinês e coreano, facilitando o acesso de utilizadores internacionais ao conteúdo de criadores japoneses.

Para muitos, a sequência dos dois anúncios não pareceu coincidência. A interpretação mais comum entre os criadores e utilizadores no Twitter/X foi que a Fantia estava a apertar as regras de conteúdo precisamente para se tornar mais palatável a audiências ocidentais, enquanto simultaneamente abria as portas para esse mesmo público, à custa dos padrões exigidos aos criadores japoneses.

Exemplo de censura incorreta por parte da Fantia

O pedido de desculpa e o que a plataforma disse

Perante a avalanche de críticas, a Fantia publicou uma declaração oficial a pedir desculpa pela forma como a situação foi comunicada. O comunicado diz o seguinte:

“Aos criadores da Fantia, Juntamente com as revisões das diretrizes, pedimos sinceramente desculpa por ter causado desconforto através de comunicações adicionais que não tiveram em conta o peso suficiente perante os encargos significativos que os criadores já enfrentam. Para reafirmar, relativamente a obras passadas, as revisões serão realizadas sequencialmente após a data de revisão. Se o conteúdo não estiver em conformidade com as diretrizes, a equipa de gestão tornará temporariamente o conteúdo privado e enviará um pedido de correção. Uma vez que a confirmação e a resposta por parte da equipa de gestão pode demorar algum tempo, para que os criadores possam continuar a publicar as suas obras com segurança, agradecemos que revejam e corrijam gradualmente as obras de maior prioridade em primeiro lugar.

Além disso, a atualização da funcionalidade de tradução já estava planeada e em desenvolvimento muito antes disso, e não tem qualquer relação com as revisões das diretrizes. Mais uma vez pedimos desculpa por repetir este aviso, mas estas revisões são importantes e altamente urgentes devido às orientações legais estritas que recebemos. Pedimos sinceramente a sua compreensão e cooperação para ajudar os criadores a evitar riscos legais”.

A insistência de que a atualização de tradução não tem relação com as novas regras de censura não convenceu grande parte dos utilizadores. Os comentários à própria publicação de desculpa no X/Twitter encheram-se de reações céticas, tanto em japonês como em inglês.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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