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Japão reage após Trump chamar ao país “República Islâmica do Japão”

Donald Trump screenshot news

Uma cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, ficou marcada esta semana por uma sucessão de trocas verbais protagonizadas pelo presidente norte-americano. Entre elas destaca-se um lapso particularmente notado, ao descrever um ataque com mísseis contra um porta-aviões dos Estados Unidos, Donald Trump atribuiu a autoria ao Irão, mas chamou-lhe República Islâmica do Japão.

O momento aconteceu durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, quando Trump respondia a uma pergunta sobre sistemas de defesa antimíssil Patriot. A explicar o valor destes sistemas, recordou um episódio recente envolvendo o porta-aviões USS Abraham Lincoln. Foi nesse momento que surgiu a confusão entre os dois países:

“Tivemos 111 mísseis disparados pela República Islâmica do Japão.”

E continuou, ainda segundo a mesma fonte:

“Foram disparados contra o porta-aviões ao longo de um período de cerca de uma hora, 111 mísseis dirigidos a um navio muito caro, e todos esses mísseis foram abatidos”.

Trump acrescentou que a maioria dos mísseis foi interceptada por sistemas Patriot, usando o episódio para elogiar a eficácia da defesa antimíssil norte-americana. O ataque ao Abraham Lincoln, ainda que mal identificado quanto à sua origem, refere-se a um confronto real entre forças dos Estados Unidos e o Irão, país com o qual Washington mantém uma escalada militar desde o final de fevereiro.

Não foi o único deslize do dia

O troca de nomes entre Irão e Japão não foi o único momento a chamar a atenção durante a passagem de Trump por Ancara. O presidente norte-americano:

  • Referiu-se ao acordo nuclear de 2015 com o Irão, oficialmente designado JCPOA, chamando-lhe por engano “JCPOC”;
  • Chamou “Presidente Putin” a Zelenskyy, que se encontrava a seu lado, antes de tentar corrigir a situação afirmando que a pergunta seria dirigida ao líder russo;
  • Descreveu a aplicação TikTok como “Tic Tac”;
  • Classificou a Turquia como uma “grande empresa”, corrigindo de imediato para “país”.

O momento em que Trump confunde os dois países surge precisamente enquanto elogiava as dimensões do porta-aviões: “que é um dos mais bonitos do mundo. É um dos maiores, o Abraham Lincoln, e há dois meses tivemos 111 mísseis disparados pela República Islâmica do Japão”.

Quanto à troca entre Zelenskyy e Putin, não é a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos comete este erro em público. O antigo presidente Joe Biden, então com 81 anos, cometeu um lapso semelhante há dois anos, também numa cimeira da NATO.

Japão reage com ironia

Apesar de o Japão não ter qualquer papel na disputa entre Washington e Teerão, o país tornou-se, ainda que involuntariamente, protagonista da história.

Nas redes sociais japonesas, as reações ao episódio oscilaram entre o cansaço e a ironia:

  • “‘Irão’ e ‘Japão’… bem, pensando bem… são completamente diferentes”
  • “Por um segundo pensei que talvez a escrita fosse parecida, mas a pronúncia não tem nada a ver”
  • “As capacidades cognitivas estão a escorregar”
  • “Isso é cartão vermelho”
  • “A República Popular da América dá medo”
  • “Isto só pode ser sinal de senilidade”

Outros comentários questionaram, entre a brincadeira e a preocupação, se o lapso poderia significar alguma coisa sobre as intenções de Washington em relação a Tóquio, com utilizadores a escreverem frases como “parece que o Japão é o próximo da lista” ou a pedirem, meio a rir, para o presidente não confundir os dois países ao ponto de disparar mísseis para o sítio errado.

O episódio ganha ainda outro contorno quando recordado o hábito de Trump de mencionar o ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941, em conversas com primeiros-ministros nipónicos, incluindo o falecido Shinzo Abe e a atual chefe de governo, Sanae Takaichi, o que tornou a troca de nomes ainda mais notada por quem acompanha as suas intervenções públicas sobre a região.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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