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Para comprar cartas Pokémon no Japão vais ter de mostrar a cara. Literalmente

Pokémon vai exigir reconhecimento facial à entrada das lojas de cartas no Japão

Pokémon TCG com Mega Greninja e Mega Floette (2)

Entrar numa loja de cartas Pokémon no Japão passou a exigir mais do que dinheiro no bolso. A partir do final de julho, quem quiser aceder às Pokémon Card Stores japonesas tem de aceitar, primeiro, um scan facial.

O anúncio surgiu a 24 de julho no site oficial do Pokémon Card Game, sem grande alarido, mas com implicações diretas para qualquer fã que queira comprar cartas presencialmente. A partir de agora, o consentimento para o reconhecimento facial passa a ser condição obrigatória para entrar nestas lojas.

O mecanismo aplica-se tanto à entrada nas lojas como à obtenção dos chamados seiriken, os bilhetes de fila que as lojas distribuem em alturas de maior afluência, com uma hora marcada para o cliente regressar mais tarde em vez de esperar horas na rua. Segundo a The Pokémon Company, o objetivo passa por prevenção de crime e garantia de cumprimento das regras de entrada e compra, uma forma pouco disfarçada de dizer que o alvo principal são os revendedores.

Na prática, o sistema funciona assim:

  • Cada cliente só pode entrar numa loja uma vez por dia
  • Cada cliente só pode obter um bilhete de fila por dia
  • Se o sistema detetar uma segunda entrada ou um segundo pedido de bilhete no mesmo dia, a equipa da loja é alertada
  • Os funcionários podem então questionar o cliente sobre a repetição e recusar a entrada se suspeitarem de revenda

A obrigatoriedade do scan aplica-se a partir da idade escolar, ou seja, dos 6 anos em diante. Crianças mais novas ficam dispensadas do reconhecimento facial, mas só podem entrar acompanhadas por um adulto, o que, na prática, significa que ninguém entra numa Pokémon Card Store sem que alguém do grupo passe pelo scan.

Quanto aos dados recolhidos, a The Pokémon Company refere na página oficial do Pokémon Card Game que a informação facial e o número de visitas serão conservados apenas durante o tempo necessário para cumprir os objetivos de segurança e combate à revenda, sendo depois eliminados.

A medida não abrange, por enquanto, a totalidade da rede Pokémon no Japão. As Pokémon Card Stores são lojas pop-up, temporárias, que vendem cartas mas também peluches, brinquedos e outros artigos da marca, distintas dos Pokémon Center, as lojas fixas de maior dimensão. O sistema arranca em cinco destas lojas temporárias, entre 31 de julho e 16 de agosto, nos centros comerciais Aeon Mall Natori, Chofu Parco, Aeon Mall Higashiura, Aeon Mall Hiroshima Fuchu e Aeon Mall Chikushino, coincidindo com o lançamento da expansão Storm Emerald do jogo de cartas.

Os Pokémon Center de maior escala ainda não têm reconhecimento facial confirmado à entrada. Mas a loja online da marca já vai exigir, a partir de agosto, verificação por cartão de identificação governamental japonês (o My Number Card) para determinadas compras.

Parte de uma ofensiva maior contra os revendedores

O scan facial não nasce isolado. Insere-se numa série de medidas que a The Pokémon Company tem vindo a testar ao longo do ano para travar a revenda especulativa, um problema que já levou lojas japonesas a recorrer a soluções tão diversas como questionários sobre a franquia antes da compra ou cortar cantos das embalagens para as tornar menos apetecíveis a quem compra só para revender.

O caso mais recente e de maior alcance é institucional, em julho, o Partido Liberal Democrata japonês criou um grupo parlamentar dedicado à indústria de cartas colecionáveis, reunindo-se pela primeira vez a 23 de julho com representantes do setor e do Ministério da Economia, Comércio e Indústria. Entre as preocupações discutidas estão não só a revenda, mas também a contrafação de cartas e o risco de lavagem de dinheiro através de cartas de valor elevado.

Para a The Pokémon Company, o risco de deixar a compra especulativa em massa correr sem travões é claro, se o único caminho para os fãs mais jovens e casuais conseguirem produtos Pokémon passar por pagar preços inflacionados a um revendedor online, alguns acabam simplesmente por procurar outro hobby ou outra franquia.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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