
O AnimeKai, um dos maiores sites de streaming de anime pirata do mundo, encerrou definitivamente esta semana. A causa imediata foi um incêndio que destruiu o centro de dados onde os servidores do site estavam alojados, tornando impossível continuar a disponibilizar os ficheiros de vídeo. O fecho acontece num momento em que a pressão sobre plataformas deste tipo nunca foi tão intensae sucede-se a uma série de encerramentos que tem marcado os últimos meses.
A mensagem deixada no subreddit oficial r/AnimeKai não deixa margem para dúvidas: “Olá a todos. Venho trazer-vos uma notícia muito infeliz. Devido a todos os problemas recentes com o site, especialmente com o incêndio no centro de dados, o developer partilhou que não vai continuar o projeto, e está na hora de todos avançarmos”.
O developer tinha já comunicado de forma mais direta nas redes sociais: “Lamentamos, o nosso centro de dados ardeu. Já não conseguimos fornecer o serviço de alojamento de ficheiros”.
Embora não haja confirmação oficial sobre a localização exata das instalações afetadas, a cronologia coincide com o incêndio que deflagrou a 7 de maio no centro de dados da NorthC em Almere, nos Países Baixos. Segundo o NL Times, o incêndio, que demorou cerca de 12 horas a ser controlado, causou falhas generalizadas em organizações com servidores naquelas instalações, incluindo a Universidade de Utrecht, serviços de saúde e empresas de transportes públicos. A NorthC opera 25 centros de dados nos Países Baixos, Alemanha e Suíça, e o incidente foi descrito pelo diretor da Dutch Data Center Association como algo sem precedentes no país, conforme relatado pelo NL Times.
O encerramento apanhou de surpresa a equipa de moderação externa do AnimeKai. Numa fase inicial, alguns moderadores chegaram a garantir que o site voltaria a funcionar. A mensagem mais recente da equipa desfaz essa expectativa, deixando claro que a probabilidade de regresso é mínima. Os responsáveis garantiram ainda que o AnimeKai continuará a existir enquanto fórum comunitário, mas enquanto plataforma de streaming está definitivamente encerrado. Qualquer outro site que apareça com o mesmo nome deverá ser considerado falso, segundo o próprio aviso publicado pela equipa.
Há apenas dois meses, em março de 2026, o HiAnime, que chegou a registar 153,5 milhões de visitas num único mês, superando a Crunchyroll, despediu-se com a mensagem: “Está na hora de dizer adeus. E obrigado por uma jornada maravilhosa com grandes momentos”. Após o fecho do HiAnime, a empresa checa de anti-pirataria Warezio lançou o Online Hunter, uma plataforma que incentiva o público a denunciar ligações a conteúdo pirateado.
O AnimeKai tinha beneficiado diretamente do colapso do HiAnime, registando um aumento expressivo de tráfego nas semanas seguintes, o que, paradoxalmente, tornou a experiência de utilização mais lenta e instável para muitos utilizadores. Era considerado por parte da comunidade como o “plano B” para quem ficara sem o seu site habitual.
No final de abril, o 9anime, o Sflix, o Watchseries e o Fmovies também encerraram. O TuMangaOnline, um dos maiores sites de pirataria de mangá em língua espanhola, foi derrubado por ação legal da Copyright Overseas Promotion Association (COA), que representa editoras coreanas como a Kakao e a WEBTOON, conhecidas pela franquia Solo Leveling. Já em janeiro, a Kakao Entertainment assumiu a responsabilidade pelo encerramento do Bato.to, que era um dos maiores repositórios de mangá pirata do mundo.
O caso do AnimeKai tem uma particularidade que o distingue dos outros, o incêndio, se confirmada a ligação ao centro de dados em Almere, representa um fim acidental numa altura em que outros encerramentos têm sido deliberados e orquestrados. Seja como for, o resultado prático para os utilizadores é o mesmo.
Serviços legais como a Crunchyroll, a Netflix e a Disney+ têm estado na linha da frente do combate à pirataria anime, contribuindo diretamente para pressão jurídica sobre estas plataformas a nível doméstico e internacional.








