
Os resultados financeiros do ano fiscal de 2025 da Sony Pictures Entertainment foram apresentados em Tóquio a 8 de maio, e há uma história clara por detrás dos números, sem o anime, a leitura seria consideravelmente mais difícil.
A divisão de cinema e televisão da Sony fechou o ano fiscal com receitas praticamente estagnadas em cerca de 9,92 mil milhões de dólares, e o rendimento operacional caiu 11% para 687 milhões de dólares face ao ano anterior. O principal responsável por essa quebra foi o encerramento da Pixomondo, a empresa de efeitos visuais e produção virtual adquirida em 2022, que gerou uma imparidade não recorrente de 27,1 mil milhões de ienes. Sem esse efeito pontual, o rendimento operacional teria crescido 11% e aí entra o anime.
Infinity Castle como força da natureza
O maior destaque do ano foi inequívoco: Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba — Infinity Castle. O filme anime arrecadou 741 milhões de dólares na bilheteira mundial, tornando-se o maior êxito no cinema do estúdio no período.
Chainsaw Man – The Movie: Reze Arc foi outro contributo relevante, com 118 milhões de dólares em bilheteira mundial. Entre os lançamentos da Sony no período estiveram ainda GOAT, com 183 milhões de dólares, e 28 Years Later, com 151 milhões, mas nenhum chegou perto do impacto do Infinity Castle.
Como a Crunchyroll passou de site de pirataria a gigante do streaming de anime
Crunchyroll como pilar estratégico
A par da bilheteira, a Crunchyroll consolidou a sua posição como um dos ativos mais sólidos da Sony. A plataforma terminou o ano fiscal com 21 milhões de subscritores pagos, um salto considerável face aos 17 milhões registados um ano antes, um crescimento de quase 25% numa única janela anual. O grupo de Media Networks, que inclui a Crunchyroll, viu as suas receitas subir 13% para 3,17 mil milhões de dólares.
Rahul Purini, presidente da Crunchyroll, foi direto na avaliação deste marco: “Atingir 21 milhões de subscritores é um testemunho poderoso da comunidade apaixonada e global que abraçou o anime como uma forma de entretenimento líder”.
A Nielsen reportou que os americanos consumiram 4,4 mil milhões de minutos na Crunchyroll apenas em janeiro de 2026, mais do dobro do valor registado no mesmo mês de 2024. Este crescimento acontece apesar de dois ciclos de despedimentos na plataforma durante o mesmo ano fiscal, em agosto de 2025 e em março de 2026.
A visão de longo prazo da Sony
Durante o briefing corporativo, o CEO da Sony, Hiroki Totoki, posicionou o anime como parte da “Creative Entertainment Vision” de longo prazo da empresa, uma estratégia que visa maximizar propriedades intelectuais em múltiplos formatos e plataformas, cruzando conteúdo, tecnologia e diferentes divisões do grupo. Totoki confirmou também que os criadores humanos continuarão a ser centrais na estratégia de entretenimento, mesmo à medida que a Sony expande as suas capacidades de inteligência artificial.
Um sinal concreto desta aposta, em abril de 2026, a Hayate Inc., joint venture entre a Aniplex e a Crunchyroll criada para a produção de anime, adquiriu o estúdio de animação Lay-duce, alargando a capacidade de produção própria.
Para o próximo ano fiscal, a Sony projeta um crescimento de 9% nas receitas da divisão de entretenimento, impulsionado por estreias como Spider-Man: Brand New Day (julho) e Jumanji: Open World (dezembro), e por um aumento continuado dos subscritores da Crunchyroll. O rendimento operacional do segmento deverá crescer 38%, em grande parte por comparação com as imparidades da Pixomondo que afetaram os resultados deste ano.








