Há anos que ficam para a história. Em termos de videojogos, 2016 foi claramente um deles. Num único verão, chegaram às lojas títulos que mudaram géneros inteiros, quebraram recordes e, nalguns casos, saíram completamente do ecrã para invadir a vida real.
9Starbound
Há jogos que prometem muito e entregam pouco. Starbound fez o caminho inverso. Depois de anos em acesso antecipado desde 2013, a versão final chegou em julho de 2016 e surpreendeu precisamente por aquilo que ninguém esperava: equilíbrio.
A premissa é simples, a nave está destruída, os mundos são gerados aleatoriamente, e cabe ao jogador explorar, construir e sobreviver. Mas o que a Chucklefish conseguiu foi criar uma experiência que funciona tanto para quem quer apenas construir a sua base ideal como para quem procura progressão, história e combate com substância. Não é uma coisa nem outra, é as duas em simultâneo, e isso é mais difícil de conseguir do que parece.
Dez anos depois, continua a ser um dos jogos de exploração espacial mais acessíveis e reconfortantes que existem.
8Monster Hunter Generations
Para quem conheceu a franquia através de Monster Hunter World ou Rise, é difícil imaginar uma época em que caçar monstros era um passatempo de nicho, praticamente desconhecido fora do Japão e de uma fatia muito específica do público ocidental. Monster Hunter Generations, lançado para a Nintendo 3DS em julho de 2016, chegou precisamente nesse momento de transição.
O jogo introduziu os Estilos de Caça e as Artes de Caçador, um sistema que dava ao jogador uma liberdade de personalização inédita na série e que tornava cada encontro com um monstro genuinamente diferente dependendo das escolhas feitas antes da missão. Era também um título de celebração, cheio de monstros icónicos de entradas anteriores, o que lhe deu um peso especial para os fãs de longa data.
Nunca foi o ponto de entrada mais fácil na série, mas para quem já estava dentro, Generations foi um presente.
7Forza Horizon 3
Quando se fala dos melhores jogos de corrida de mundo aberto, Forza Horizon 3 aparece invariavelmente na conversa, e com razão. A Playground Games escolheu a Austrália como palco, e essa decisão sozinha mudou completamente o tom da experiência, praias, florestas tropicais, desertos vermelhos e cidades a conviver no mesmo mapa, sem que nada parecesse forçado ou artificial.
O que tornava o jogo especial não era apenas a variedade visual. Era a sensação de que cada canto do mapa escondia algo interessante, seja um atalho inesperado, uma corrida escondida ou simplesmente um pôr do sol que dava vontade de parar o carro e olhar. Para um jogo de corrida, isso é extraordinário.
Houve mais episódios depois deste, com mapas maiores e mais conteúdo. Mas há quem defenda, com bons argumentos, que a terceira entrada continua a ser o ponto mais alto da série.
6Uncharted 4: A Thief’s End
Uncharted 4 foi lançado a 10 de maio de 2016, e nessa data a Naughty Dog não só encerrou a história de Nathan Drake como estabeleceu um novo patamar para o que um jogo de ação e aventura podia ser em termos narrativos e técnicos.
A história, que traz de volta um irmão dado como morto e obriga o protagonista a questionar o que realmente quer da vida, não foi unanimemente elogiada em todos os detalhes. Há quem ache que a introdução de Sam Drake complica desnecessariamente a mitologia da série, e há quem prefira a intensidade mais concentrada de Uncharted 2. Esses são debates legítimos.
Mas há coisas em Uncharted 4 que são difíceis de contestar, a qualidade visual, que ainda hoje impressiona; a direção de arte em cada ambiente; o peso emocional de uma despedida bem construída. Com mais de 18 milhões de cópias vendidas, tornou-se o jogo mais vendido da série e um dos maiores êxitos comerciais e críticos da PlayStation 4. Para muitos, é simplesmente um dos melhores jogos de sempre.
5World of Warcraft: Legion
Há expansões de World of Warcraft que ficam na memória pelos momentos certos, e há as que ficam por terem mudado o jogo de forma permanente. Legion, lançada em agosto de 2016, pertence à segunda categoria.
Trazer a Burning Legion de volta como ameaça central foi uma decisão narrativa de peso, mas o verdadeiro impacto de Legion foi no design. A introdução do sistema Mythic+ transformou o endgame de uma forma que continua presente hoje, em vez de conteúdo que se esgotava rapidamente, os jogadores passaram a ter um sistema de masmorra escalonável que mantinha a progressão relevante semana após semana.
A isso juntou-se a nova classe Caçador de Demónios, Artefactos com progressão própria, e uma cadência de atualizações que raramente abrandou, culminando com a chegada do planeta Argus nos meses finais. É por isso que Legion é frequentemente citada, mesmo hoje, como um modelo do que uma expansão de MMO deve ser.
4Overwatch
É fácil esquecer o que foi o lançamento de Overwatch em maio de 2016, especialmente com tudo o que aconteceu desde então. Mas na altura, o que a Blizzard fez foi algo genuinamente difícil, entrar num mercado dominado por franquias estabelecidas com um shooter completamente novo, construído à volta de heróis com identidades visuais e mecânicas radicalmente distintas, e convencer o mundo inteiro a experimentar.
Funcionou de uma forma que poucos antecipavam. Overwatch não foi apenas um sucesso comercial, foi um fenómeno cultural. Cada herói tornou-se uma personagem com vida própria, com fãs dedicados, com arte, com cosplay, com teorias. O jogo ganhou o prémio de Jogo do Ano em 2016 e popularizou o género hero shooter de uma forma que ainda hoje se sente em cada título que tenta replicar a fórmula.
O que aconteceu depois, com a transição para Overwatch 2 e o modelo free-to-play, é outra história. Mas o original merece ser lembrado pelo que foi no seu momento.
3The Witcher 3: Wild Hunt
Tecnicamente lançado em maio de 2015, The Witcher 3 entra nesta lista porque o seu impacto se prolongou bem para além do lançamento e porque ignorá-lo seria uma injustiça. O jogo da CD Projekt Red não foi apenas um RPG de mundo aberto com boa história. Foi o momento em que a indústria percebeu que as missões secundárias podiam ter tanto peso narrativo como a história principal, que um mundo aberto podia ser genuinamente vivo em vez de apenas grande.
Personagens como Triss e Yennefer ficaram na memória de forma duradoura não por causa de cinemáticas elaboradas, mas porque as suas histórias eram escritas com o mesmo cuidado que um bom romance. As expansões Hearts of Stone e Blood and Wine vieram reforçar ainda mais essa ideia.
Uma década depois do lançamento, The Witcher 3 continua a aparecer em listas de melhores jogos de sempre, e, ao contrário de muitos títulos que envelhecem mal, ainda se joga muito bem.
2Inside
A Playdead demorou seis anos a lançar o seguimento de Limbo. Quando Inside chegou em junho de 2016, ficou rapidamente claro que cada um desses anos tinha valido a pena.
O jogo não tem diálogos, não tem ecrãs de texto, não explica nada. E ainda assim constrói, em menos de três horas, uma das narrativas mais perturbadoras e memoráveis dos jogos independentes da última década. A atmosfera é opressiva desde o primeiro segundo, o design de som é cirúrgico, e há momentos, especialmente perto do final, que ficam a incomodar durante dias.
O desfecho de Inside continua a ser debatido. Há interpretações para todos os gostos, e esse é precisamente o sinal de que algo funcionou. Não há muitos jogos que consigam dizer tanto sem dizer nada.
1Pokémon GO
Nenhum outro jogo desta lista saiu do ecrã da forma que Pokémon GO saiu. Em julho de 2016, pessoas de todas as idades estavam nas ruas, em parques, em monumentos históricos, em praias, de telemóvel na mão, à procura de criaturas que só existiam em realidade aumentada. Era algo que nunca tinha acontecido antes com um videojogo.
O que a Niantic e a Nintendo conseguiram foi usar a propriedade intelectual mais reconhecível do mundo como veículo para uma experiência que não era apenas sobre jogar, era sobre estar num sítio, conhecer pessoas, partilhar um momento. Raids em que dezenas de estranhos se juntavam em frente a um ginásio, grupos de WhatsApp criados só para coordenar capturas, amizades feitas em filas à espera de um Pokémon raro. Isso não é normal num jogo.
Dez anos depois, Pokémon GO continua ativo, continua a receber atualizações e continua a ter milhões de utilizadores em todo o mundo. Poucos teriam apostado nisso em 2016, e essa resistência ao tempo é, por si só, uma conquista notável.








