
O fim dos discos físicos da PlayStation continua a gerar reações dentro e fora da indústria, e desta vez foi um antigo responsável da própria Sony a juntar-se ao debate. Shawn Layden, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment Worldwide Studios e atual consultor estratégico da indústria dos videojogos, considera que a decisão é lamentável, mas que ainda existe margem para evitar o cenário mais radical, o desaparecimento total do disco físico na PlayStation.
Recorde-se que a Sony já confirmou que vai parar de produzir discos físicos para jogos de PlayStation a partir de 2028, uma medida que tem sido alvo de fortes críticas por parte da comunidade de jogadores desde que foi anunciada, em julho.
“Depressivo, mas solucionável”
Em declarações à newsletter Game, do Pad and Pixel Substack, Layden não escondeu o desagrado com o rumo tomado pela antiga empresa, descrevendo um futuro sem discos de PlayStation como algo “depressivo, mas solucionável”. Segundo o próprio, o principal obstáculo está no facto de a Sony deter o processo proprietário de gravação dos discos, o que impede, para já, que outras empresas os possam produzir de forma independente.
“E a menos que decidam ou encontrem uma forma de licenciar isso a alguns destes fabricantes de discos especializados, não há maneira de isto acontecer“, afirmou Layden.
A solução que propõe passa precisamente por aí, a Sony poderia seguir o exemplo da Microsoft, que já licencia a réplica dos discos da Xbox a fabricantes externos certificados, os chamados Authorized Replicators, através dos seus acordos com editoras. Layden foi, no entanto, cauteloso ao admitir que compreende o conceito em termos gerais, mas que não tem conhecimento direto dos detalhes específicos que uma eventual licença desse tipo exigiria da parte da Sony.
Esta não é a primeira vez que Layden comenta o fim dos discos de PlayStation. Já em julho, pouco depois do anúncio oficial da Sony, tinha classificado este tipo de decisões como algo que, na prática, resulta quase sempre de números e não de outros fatores. Layden explicou que descontinuar um produto ou uma funcionalidade “é largamente uma decisão de folha de cálculo direta”, acrescentando que “a certa altura torna-se óbvio que não conseguimos manter isto tudo a funcionar apenas por esta pequena fatia de oportunidade“.
Ainda assim, para Layden, os suportes físicos continuam a ter um peso simbólico e prático que não deve ser ignorado. O antigo executivo argumenta que colecionar é um dos mecanismos mais antigos e centrais da experiência de jogar, e que isso continua a ser especialmente verdadeiro para os fãs mais dedicados da marca. Na mesma entrevista, Layden sublinha ainda que o próprio mercado continua a mostrar interesse nos discos, cabendo à Sony apenas a decisão de deixar de os produzir.
Enquanto o debate sobre o futuro dos discos continua, a Sony não tem dado sinais de recuar. A empresa tem reforçado publicamente que as licenças digitais não são, de facto, propriedade dos jogadores, mas sim um direito de utilização que pode ser revogado, uma posição que tem alimentado ainda mais a contestação online por parte dos consumidores.
Este clima de tensão levou também a Sony a introduzir, no início de setembro, uma nova política de combate ao assédio de clientes, destinada a proteger os seus próprios funcionários de comportamentos abusivos motivados por este descontentamento generalizado. A medida inclui a possibilidade de restringir o apoio ao cliente a utilizadores que ultrapassem o que a empresa considera razoável, podendo mesmo recorrer a autoridades policiais e legais em casos mais graves.
Para já, a Sony garantiu que os jogos físicos já lançados continuarão a ser suportados mesmo depois de 2028, mas o fim da produção de novos discos parece, por enquanto, uma decisão irreversível.








