InícioAnimeAntes de Evangelion, a Gainax rejeitou a oportunidade de adaptar Akira

Antes de Evangelion, a Gainax rejeitou a oportunidade de adaptar Akira

Antes de se tornar sinónimo de Neon Genesis Evangelion, a Gainax teve à sua porta uma oportunidade que poucos estúdios de anime recusariam, adaptar Akira, um dos mangás mais influentes de sempre. A revelação vem de Hiroaki Inoue, antigo vice-presidente do estúdio, numa entrevista recente onde recorda os bastidores dos primeiros anos da produtora japonesa.

Inoue, hoje diretor representante da produtora Oniro, é uma figura de peso na história da ficção científica japonesa em anime, tendo produzido títulos como Perfect Blue, de Satoshi Kon, e a antologia Memories, de Katsuhiro Otomo, precisamente o autor de Akira. Foi ao GameBiz que Inoue partilhou esta e outras histórias pouco conhecidas sobre os primeiros tempos da Gainax, entretanto extinta.

A Gainax nasceu de um grupo de estudantes universitários sem qualquer experiência prévia na produção de anime. Foi nesse contexto que Inoue, já com um percurso feito na Tezuka Productions, acabou por assumir um papel praticamente de mentor dentro do grupo, fazendo a ponte entre o universo otaku dos fundadores e o lado mais corporativo da indústria. Coube-lhe também tratar de relatórios financeiros e negociar aquilo que descreve como um contrato sem precedentes com a Bandai, ainda nos primeiros anos de existência do estúdio.

Foi também graças a essa rede de contactos que Inoue acabou por se cruzar com Katsuhiro Otomo, que chegou a visitar pessoalmente as instalações da Gainax com uma proposta pouco habitual, a possibilidade de o estúdio ficar responsável pela adaptação de Akira.

De acordo com Inoue, a decisão de recusar essa oportunidade partiu de dois nomes centrais na fundação da Gainax, Toshio Okada e Hiroyuki Yamaga.

Na verdade, havia conversas em curso sobre a Gainax trabalhar numa adaptação de Akira. Foi uma proposta que o Okada (Toshio) e o Yamaga (Hiroyuki) rejeitaram com um certo descaramento. Isto é apenas um palpite meu, mas penso que a rejeitaram porque acharam que o Yamaga perderia a sua posição se o Otomo se envolvesse“, contou Inoue.

A leitura do próprio Inoue aponta assim para uma questão de ego e de controlo criativo dentro do jovem estúdio, mais do que propriamente para uma questão artística ou financeira. Sem a Gainax envolvida, o projeto acabaria por ser assumido pela Tokyo Movie Shinsha, que lançou Akira nos cinemas em 1988. O filme tornar-se-ia, com o tempo, uma das obras mais influentes da animação japonesa, moldando de forma decisiva a perceção do anime fora do Japão.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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