
David Gaider, o argumentista responsável por criar o mundo de Thedas e por liderar a escrita de Dragon Age: Origins, Dragon Age 2 e Inquisition, não tem grandes esperanças no futuro da série enquanto esta continuar nas mãos da Electronic Arts. Em declarações à PC Gamer, Gaider foi direto ao ponto quando lhe perguntaram se via futuro para a saga que considera “o seu bebé”: “Da Electronic Arts? Improvável”.
Segundo conta, esta sensação de instabilidade não é propriamente nova, nem surgiu apenas depois do fraco desempenho comercial de Dragon Age: The Veilguard. Já durante os anos em que trabalhou na Bioware, Gaider recorda que a equipa vivia praticamente sob a ameaça constante de cancelamento: “Ao longo de todo o tempo em que lá estive, estávamos sempre a um fôlego do projeto ser arquivado. O que aconteceu foi que continuámos a lançar jogos, e eles vendiam muito melhor do que pensavam que deveriam vender, e isso continuava a surpreendê-los”.
Para Gaider, essa constante desconfiança da editora estava diretamente ligada à forma como Dragon Age e Mass Effect eram tratados internamente. Enquanto Mass Effect era visto como um projeto mais orientado para a ação e, por isso, beneficiava sempre de desculpas quando os números ficavam aquém do esperado, o mesmo não acontecia com Dragon Age, uma saga mais assente na narrativa e no estilo clássico de RPG. Nas suas palavras, “foi engraçado, porque se os lançamentos de Mass Effect não vendessem tão bem, arranjavam desculpas, porque era um jogo orientado para a ação. Achavam que devia vender mais. Era mais estiloso”.
Este desequilíbrio, segundo o argumentista, fez com que a Electronic Arts nunca ficasse verdadeiramente satisfeita com Dragon Age, mesmo nos períodos em que a série vendia bem. Com o desempenho comercial mais fraco de The Veilguard, lançado em 2024, Gaider acredita que a editora finalmente encontrou o motivo que procurava há anos para arrumar a saga na gaveta, depois de sucessivas gerações de jogos terem surpreendido pela positiva as próprias expectativas internas da empresa.
Apesar de tudo, Gaider não fecha completamente a porta a um regresso pessoal ao universo que ajudou a criar. O argumentista afirma que gostaria de voltar a trabalhar em Dragon Age e levar a saga para um território mais sombrio e arriscado, mas apenas caso isso aconteça fora da alçada da Electronic Arts. É uma mudança de posição relativamente à sua postura mais categórica no passado, quando garantia nunca mais querer voltar a pegar na série depois de sair da Bioware, em 2016.
Vale ainda referir que Gaider descreveu ainda o desenvolvimento de The Veilguard como um processo penoso para quem ficou na Bioware depois da sua saída, considerando que a equipa foi, nas suas palavras, condicionada pela Electronic Arts desde o início do projeto.








