
Stephanie Arnette, senior external development manager de Fortnite, esteve recentemente num painel da Gamescom Latam e foi direta sobre o tema que toda a indústria está a evitar discutir abertamente, o papel da inteligência artificial no desenvolvimento de videojogos e o que isso significa para quem trabalha na área.
“A Epic tem explorado diferentes ferramentas de IA que podemos usar para ajudar a suportar os nossos jogos”, disse Arnette, de acordo com o GamesRadar+, que esteve presente no painel. “Sei que o maior medo de toda a gente é: ‘Meu Deus, a IA vai tirar todos os nossos empregos’. Esse não é o nosso objetivo. O objetivo é tornarmo-nos mais eficientes”.
O argumento é familiar, praticamente todas as empresas que adotam IA neste momento usam variações da mesma frase. O que torna o timing das declarações de Arnette particularmente difícil de ignorar é que a Epic despediu mais de 1000 funcionários em março de 2026, cerca de 20% da força de trabalho, segundo o CEO Tim Sweeney num comunicado interno que se tornou público. O próprio Sweeney foi explícito a dizer que os despedimentos não estavam relacionados com IA, a causa apontada foi uma “quebra no engagement do Fortnite que começou em 2025” e o facto de a empresa estar “a gastar significativamente mais do que ganha”. A empresa ficou com cerca de 4000 funcionários após os cortes.
Ainda assim, quando uma empresa reduz a sua equipa em um quinto e semanas depois um executivo sobe a um palco para garantir que a IA não vai eliminar postos de trabalho, a mensagem é difícil de receber sem algum ceticismo.
Quanto ao que está concretamente a ser explorado, Arnette deu um exemplo prático, se uma tarefa que normalmente demora dez horas passa a demorar substancialmente menos, essa é a proposta de valor das ferramentas de IA. Confirmou também que a exploração está a acontecer “no domínio artístico”, sem detalhar de que forma. A ausência de especificidades é ela própria um dado, a Epic não revelou que ferramentas usa, em que tarefas as aplica nem como mede os ganhos de eficiência.
Arnette foi mais concreta num outro ponto, o controlo sobre o que entra na pipeline de desenvolvimento. “Não há realmente nenhuma abertura para um parceiro tentar colocar a sua informação ou ferramentas de IA nas nossas, porque é uma empresa tão, tão grande, que seria sempre da nossa direção para fora, e não ao contrário”. Numa empresa que trabalha com uma rede alargada de parceiros de co-desenvolvimento, é uma linha de demarcação relevante, a Epic reserva para si a decisão sobre se e como a IA é integrada no processo, sem delegar isso a estúdios externos.
A Epic não é a única empresa a fazer este tipo de declarações neste momento. A Sony anunciou recentemente que todos os seus estúdios estão a explorar ferramentas de IA e que está a trabalhar com a Bandai Namco na área de IA generativa, um anúncio que gerou reações semelhantes na comunidade de desenvolvimento.







