
A Sony não sabe ainda quando vai lançar a PlayStation 6, nem a que preço. A revelação veio do próprio presidente e CEO da empresa, Hiroki Totoki, durante uma sessão de perguntas e respostas realizada esta semana após a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre do ano fiscal de 2025.
O tema central da conferência acabou por ser a crise global de componentes, em particular a escassez de memória RAM, um problema que está a afetar a indústria tecnológica em geral e que, agora, começa a lançar uma sombra direta sobre a próxima geração de consolas da Sony.
O problema está no horizonte de 2027
Totoki foi claro sobre a situação atual, para o resto do ano civil de 2026, a Sony já garantiu o fornecimento de componentes de que precisa e chegou mesmo a acordo sobre parte dos preços. O problema é o que vem a seguir.
“Tendo em conta as circunstâncias atuais, o preço da memória deverá também ser muito elevado no ano fiscal de 2027, porque ainda haverá uma escassez de fornecimento. Portanto, com esse pressuposto, temos de pensar cuidadosamente no que iremos fazer”, afirmou Totoki.
E sobre a PS6 em concreto, a posição é de compasso de espera: “Ainda não decidimos em que altura iremos lançar a nova consola, nem a que preços. Por isso, gostaríamos de observar e acompanhar a situação”, acrescentou.
As palavras de Totoki acabam por dar alguma credibilidade a rumores que circulam há meses. Em fevereiro, a Bloomberg reportou, com base em fontes anónimas familiarizadas com os planos internos da Sony, que a empresa estaria a considerar adiar o lançamento da PS6 para 2028 ou mesmo 2029. Na altura, o principal fator apontado era precisamente a escassez de memória, sem perspetivas de resolução a curto prazo. Um analista da indústria chegou a prever que a PS6 pode não chegar antes de 2028, o que tornaria esta a geração PlayStation mais longa de sempre.
Nada está confirmado, mas o tom cauteloso de Totoki não ajuda a desmentir esses cenários.
Mudar o modelo de negócio?
Além das questões de componentes, Totoki abriu uma porta interessante ao sugerir que a Sony pode explorar formas alternativas de vender a PS6. “Gostaríamos de pensar em várias simulações, incluindo a mudança de modelos de negócio, para encontrar a melhor solução e estratégia”, disse.
Não especificou o que isso significa na prática, mas a referência a “novos modelos” alimenta a especulação sobre possíveis esquemas de subscrição, financiamento faseado do hardware, semelhante ao que acontece com os telemóveis, ou outras abordagens que permitam reduzir o impacto do preço final no consumidor. Esta hipótese ganha ainda mais peso quando se sabe que a PS5 subiu recentemente 100 euros de preço, o que fez as vendas caírem quase 50% no último trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A PS5 abranda, mas a base de utilizadores cresce
Os resultados financeiros apresentados revelam que a PS5 acumula 93,7 milhões de unidades expedidas em todo o mundo, um número relevante, mas que já coloca a consola ligeiramente atrás do ritmo de vendas da PS4 no mesmo ponto da sua vida útil. Só no último trimestre foram expedidas 1,5 milhões de unidades, um valor quase 50% abaixo do registado no mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, Totoki não parece alarmado. A PlayStation Network conta com 125 milhões de utilizadores ativos mensais, mais um milhão do que no mesmo período do ano passado, e o CEO sublinha que a procura não desapareceu. A base de jogadores continua a crescer, o que dá à Sony tempo para definir com mais cuidado a estratégia para a próxima geração.
“O número de utilizadores ativos nas plataformas PlayStation continua a crescer, portanto não é que a procura tenha diminuído”, disse Totoki, justificando a abordagem de cautela.








